A Rádio Gazeta FM 107,9 iniciou nesta segunda-feira, 24, uma série especial de entrevistas para marcar os cinco anos de concessão da RSC-287. Até a próxima segunda-feira, 31, a emissora vai ouvir representantes de diferentes segmentos e setores para avaliar a situação atual da rodovia e discutir o futuro da estrada administrada pela concessionária Rota de Santa Maria.
As entrevistas ocorrem diariamente dentro do programa Estúdio Interativo, a partir das 9h30. A primeira edição da série reuniu três lideranças que participaram diretamente da mobilização em defesa da duplicação da rodovia: o presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento do Vale do Rio Pardo (Corede/VRP), Heitor Petry; o ex-presidente da Associação Comercial e Industrial (ACI), Lucas Rubinger; e o ex-presidente da Associação de Entidades Empresariais de Santa Cruz do Sul (Assemp), Léo Schwingel.
Os três integraram o movimento Duplica 287, criado a partir da mobilização de entidades e lideranças regionais para colocar a duplicação da rodovia entre as principais reivindicações do Vale do Rio Pardo.
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Mobilização teve origem antes do Duplica 287
Durante a entrevista, Schwingel lembrou que a discussão sobre a necessidade de melhorar a RSC-287 ganhou força ainda em 2008, com a Associação Santa Cruz Novos Rumos. Segundo ele, uma das principais bandeiras assumidas por centenas de lideranças reunidas naquele período era justamente a duplicação da estrada. “Ali foi verdadeiramente o start, a partida para o que mais tarde veio a acontecer através do Duplica 287”, afirmou.
O movimento com esse nome ganhou corpo anos depois, por volta de 2017 e 2018. Rubinger recordou que a mobilização também acompanhou iniciativas semelhantes em outras regiões, como Santa Maria, mas rapidamente se transformou em uma bandeira regional. “Levamos isso como a principal pauta política de investimento da região nas eleições daquele momento, para que os políticos entendessem que todos nós queríamos o mesmo investimento, que era na 287”, destacou.
Para o ex-presidente da ACI, a união das entidades e lideranças foi decisiva para transformar uma reivindicação antiga em uma pressão organizada. O objetivo era claro: garantir que a duplicação saísse do papel.
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União regional foi decisiva
Petry destacou que a capacidade de mobilização das organizações do Vale do Rio Pardo foi um dos principais fatores para o avanço da pauta. Segundo ele, entidades empresariais, sociais e do setor público conseguiram se alinhar em torno de um objetivo comum. “Não era uma questão de uma bandeira partidária ou de um segmento. Era do conjunto da nossa região”, afirmou.
O presidente do Corede/VRP lembrou que a necessidade de investimentos na RSC-287 já aparecia há anos no planejamento estratégico regional. Na avaliação dele, havia também um entendimento de que o poder público não teria recursos suficientes para executar sozinho uma obra de grande porte. “Nós não tínhamos simplesmente simpatia por uma concessão privada. Nós tínhamos um entendimento claro de que esse era o caminho, de que não haveria outra possibilidade”, observou.
O leilão da concessão ocorreu em dezembro de 2020. Rubinger acompanhou o processo na B3, em São Paulo, junto com outras lideranças da região. Na época, integrantes do movimento estiveram presentes com máscaras estampadas com a mensagem Duplica 287. “Que bom estarmos no futuro vendo aquilo que nós lutamos lá atrás”, resumiu Rubinger.
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Duplicação trouxe avanços e novos problemas
Cinco anos depois da concessão, os entrevistados reconhecem os avanços, mas também apontam problemas que surgiram durante a execução das obras. Um dos principais pontos abordados foi a situação dos acessos às propriedades, empresas e estabelecimentos localizados às margens da rodovia.
Petry afirmou que a expectativa do movimento era de uma duplicação que também contribuísse diretamente para o desenvolvimento das cidades e comunidades do entorno. Na avaliação dele, o projeto original priorizou a ligação entre Santa Maria e Porto Alegre e não considerou, inicialmente, de forma suficiente, a realidade das áreas já consolidadas ao longo da estrada. “Nós queríamos uma rodovia, uma duplicação, que impactasse no desenvolvimento local, que contribuísse para o desenvolvimento local”, disse.
Segundo Petry, esse descompasso aparece, por exemplo, em trechos já duplicados que ainda apresentam restrições de acesso. Para ele, o problema surgiu porque a lógica dos acessos não foi incorporada de forma adequada ao projeto original da concessão. “Hoje nós precisamos celebrar que vemos as obras andando, mas permaneceram questões que não foram previstas ou pensadas no momento da concessão”, avaliou.
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Apesar das dificuldades, ele considera que a experiência da RSC-287 deve servir de referência para os próximos projetos de concessão rodoviária no Estado. “Vamos ser um pouco de cobaia para as novas concessões. O Estado sabe que isso é um gargalo, um tendão de Aquiles. Então, precisa resolver isso já na concessão”, afirmou.
Desenvolvimento regional é uma das principais apostas
Os três entrevistados também defenderam que a duplicação terá reflexos importantes no desenvolvimento econômico do Vale do Rio Pardo e de toda a área atendida pela rodovia.
Schwingel ressaltou que os benefícios não devem ficar restritos à indústria e ao comércio. Para ele, uma rodovia duplicada também cria novas oportunidades para o turismo e para outros investimentos. “Com a consolidação da duplicação, nós teremos verdadeiramente uma rodovia de 200 quilômetros, onde o impulso à economia será espetacular”, afirmou.
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Rubinger também reconheceu que o processo provoca dificuldades e insatisfações, especialmente durante as obras e as mudanças necessárias ao longo do trajeto. Mesmo assim, entende que os ganhos já começaram a aparecer. “Santa Cruz já colheu o fruto primeiro e ainda vamos colher mais. Logo, logo, nós vamos daqui a Venâncio no duplicado. E, se nós tivermos um sonho um pouquinho mais estendido, vamos daqui a Porto Alegre no duplicado”, projetou.
Ele lembrou ainda que, mesmo em trechos onde persistem problemas, a duplicação já representa um avanço em segurança em comparação com a antiga pista simples.
Novos movimentos e novos desafios
Ao final da entrevista, os participantes foram provocados a apontar quais seriam as próximas grandes bandeiras capazes de mobilizar a região.
Para Rubinger, uma delas deveria ser a implantação de um aeroporto regional com estrutura para ampliar a operação aérea. Segundo ele, a utilidade do aeroporto de Santa Cruz do Sul ficou evidente durante as enchentes de 2024. “Se hoje uníssemos forças e botássemos todas as nossas energias em um aeroporto regional, eu acho que nós ganharíamos muito como região e certamente como Estado”, defendeu.
Schwingel apontou a necessidade de ampliar a estrutura do Centro de Eventos de Santa Cruz do Sul. Na avaliação dele, um espaço maior poderia atrair convenções e eventos de grande porte, além de estimular novos investimentos no setor hoteleiro e no turismo.
Já Petry defendeu uma discussão mais ampla sobre o futuro econômico do Vale do Rio Pardo. O presidente do Corede/VRP entende que a região precisa aproveitar o momento para avaliar sua vocação e traçar novas estratégias de desenvolvimento. “É um momento de repensar a nossa região. Qual a vocação que nós vamos ter daqui para a frente?”, questionou.
Ele citou o potencial do turismo, os desafios da matriz econômica regional e as mudanças em curso na economia como temas que exigem planejamento conjunto. “É momento de sentarmos juntos na nossa região, avaliar nossa vocação e traçar algumas direções”, afirmou.
Ao relembrar a mobilização pela duplicação, Petry avaliou que a principal lição deixada pelo Duplica 287 foi justamente a capacidade regional de unir entidades e lideranças em torno de uma causa comum. “Essa é a nossa grande força e potencial que nós temos na nossa região: essa organização rica e que sabe se unir quando é importante”, concluiu.
Próximos entrevistados:
- Dia 25/8 (terça-feira): Luiz Afonso Senna – mestre em Engenharia de Transportes, atua em temas como planejamento de transportes, concessão de rodovias, logística e financiamento da infraestrutura de transportes.
- Dia 26/8 (quarta-feira): Gilson Becker – prefeito de Vera Cruz e ex-presidente do Conselho de Usuários da RSC287, e Flávio Haas – atual presidente do grupo.
- Dia 27/8 (quinta-feira): Marcelo Spilki – presidente da Agência Estadual de Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs).
- Dia 28/8 (sexta-feira): Pedro Capeluppi – secretário Estadual da Reconstrução.
- Dia 31/8 (segunda-feira): Leandro Conterato – diretor-geral da concessionária Rota de Santa Maria.
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