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LA BELLA ITALIA LITERÁRIA

Do mar à terra: a história da família que construiu o Hotel Sabbia D’Oro

Foto: Divulgação

Foto: Niccolò Fusaro

Era uma vez um pescador de origem palermitana. Chamava-se Giacomo Faranna. Um homem simples, que não tinha dinheiro nem para comprar um par de sapatos. Porém, era extremamente corajoso, trabalhador e carismático. A sua vida mudou quando conseguiu encontrar trabalho em um navio mercante da companhia de navegação Sidermar, que transportava minerais. Foi assim que começou a explorar o mundo para além das terras sicilianas, chegando, inclusive, ao porto de Santos, no Brasil.

A sua vida mudou novamente quando nasceu o seu filho, Gaetano. E, ironia do destino, justamente o filho de um pescador passava mal todas as vezes que subia em um barco. Mas nem sempre vale o ditado: filho de peixe, peixinho é. Essa diferença crucial levou a história da família para um novo rumo: em vez de continuar o legado pelo mar, decidiram construir o seu futuro em terra firme. A solução foi criar o próprio trabalho: abriram uma pensão, a “Pensione Sabbia D’Oro”, que, mais tarde, se tornaria um hotel.

No início, em 1983, Giacomo continuava a pescar, a sua esposa Angela se ocupava da lavanderia e da organização dos quartos, enquanto o filho, Gaetano, cozinhava. Nasce assim a história do Hotel Sabbia D’Oro, onde ficamos hospedados durante a nossa última viagem a San Vito Lo Capo.

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Um lugar onde o mar é azul-turquesa, contornado pela beleza de imensas montanhas que nos fazem viajar no tempo. Não é à toa que Christopher Nolan escolheu a Sicília para algumas das ambientações da sua releitura da Odisseia. E, assim como o diretor decidiu trazer visibilidade a essas terras, eu gostaria de contar a vocês a história dessa família, que me ensinou muito sobre os valores da hospitalidade e do trabalho.

O senhor Gaetano passou a gerir tudo sozinho: das reservas à secretaria, da recepção ao restaurante e à cozinha. Foi também o primeiro, na região, a se formar no Instituto Alberghiero de Palermo. Todos os serviços eram realizados pelo mesmo homem, até que os seus filhos, a terceira geração da família, começaram a ajudá-lo. Tive a oportunidade de entrevistar Giacomo Faranna, que carrega o mesmo nome do avô, é o filho mais velho e hoje é o responsável pelo hotel. Ele se emocionou ao contar a história do pai e do avô:

“Eu cresci vivendo no hotel. Nunca foi uma obrigação, foi sempre o sentimento de inclusão e de construção em família que me fez decidir seguir também este caminho. Comecei de baixo, servindo água e pão. Meu pai sempre me dizia que eu deveria aprender cada função dentro do hotel, para que um dia pudesse gerenciar e administrar. Assim como o meu irmão Gaspare, que hoje é o chef de cozinha, eu também comecei de baixo. E a minha irmã Marta estuda teatro, mas sabe fazer de tudo aqui no hotel também. Isso nos ensinou a trabalhar, a conquistar e o valor das coisas. Nada vem de graça”.

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Ele disse isso com orgulho, falando de tudo o que a família construiu junta. Giacomo presta muita atenção à experiência dos hóspedes. Indicou-nos o que fazer na região: visitar a Reserva dello Zingaro, Favignana, a vila de Erice e até a melhor pasticceria para saborear um cannolo siciliano.

O hotel foca a qualidade em vez da quantidade, uma escolha cada vez mais rara nos dias de hoje. Além disso, adota a política “Zero Waste”, buscando evitar desperdícios desnecessários. No sistema de meia-pensão, os hóspedes têm acesso a um QR Code por meio do qual podem escolher os pratos do menu para o dia seguinte.

Dessa forma, a cozinha pode preparar as quantidades necessárias de alimentos, evitando desperdícios inúteis. Um modelo muito interessante, que poderia ser adotado também por outros hotéis. A massa é feita em casa, o peixe é fresco e a qualidade dos ingredientes é evidente. Tivemos a oportunidade de nos deliciar com a verdadeira culinária siciliana.

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O menu segue as receitas tradicionais sicilianas do pai, mas também propõe releituras e novos pratos. Giacomo destacou que as receitas são preparadas com ingredientes simples, para facilitar a digestão, e eu diria que é bem assim: mesmo comendo muito todos os dias, sempre me senti bem após as refeições.

Perguntei por que alguém deveria visitar San Vito Lo Capo: “É um vilarejo à medida do homem, com pessoas acolhedoras, e não sofre de overtourism. As atividades ainda são autênticas, realizadas por pessoas do local. O mar e as belezas naturais representam um valor agregado e, claro, a boa culinária também. Aliás, meu irmão sempre diz: que sorte viver aqui!”

A sala do hotel expõe um lindo barco de madeira, azul, branco e amarelo, em memória ao avô, que continuava a acordar cedo mesmo depois dos 80 anos de idade para ir jogar a rede no mar. Tenho certeza de que ele estaria muito orgulhoso de tudo o que foi construído e continua a ser construído com tanto respeito, amor e cuidado.

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Passamos oito dias no Sabbia D’Oro, e nós também nos sentimos parte desta história. Porque é assim que eles acolhem os seus hóspedes: como se fizessem parte da família. Para quem quiser conhecer San Vito Lo Capo, deixo o site para saber mais sobre o Sabbia D’Oro.

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