O Rio Grande do Sul deve colher 35,639 milhões de toneladas na safra de verão 2026/27, segundo estimativa da Emater/RS-Ascar apresentada nessa terça-feira, 1º, durante a Expointer. Se confirmada, a produção será 8,64% superior às 32,804 milhões de toneladas da temporada passada. A área plantada deve recuar 0,37%, para 8,248 milhões de hectares.
A projeção considera soja, arroz, milho, milho para silagem, feijão e sorgo. O principal fator do crescimento é a recuperação da soja, que deve alcançar 21,151 milhões de toneladas, alta de 15,32% sobre as 18,342 milhões do ciclo anterior. A área semeada deve cair 0,92%, para 6,645 milhões de hectares, mas a produtividade projetada sobe de 2.735 quilos por hectare para 3.183 quilos por hectare – avanço de 16,37%.
O desempenho da soja deve variar conforme a região. Segundo o diretor-técnico da Emater, Mateus Rocha, a região dos Vales esteve entre as áreas mais castigadas pelas estiagens recentes e pode se beneficiar de uma melhora das condições hídricas. Para ele, o clima favorável ligado ao El Niño, com chuvas mais acentuadas, permitirá um desempenho melhor mesmo com área reduzida.
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Os riscos também estão presentes: a previsão para os próximos três meses indica chuvas acima da média e temperaturas superiores ao normal em boa parte do Estado. O meteorologista Flávio Varone, do Simagro-RS, apontou possibilidade de um super El Niño até o início de 2027, o que pode atrasar a semeadura e elevar os custos de manejo.
Para o presidente da Emater, Claudinei Baldissera, o clima será determinante. “Temos condições para uma ótima safra de verão, mas o clima será nosso principal fator”, diz. Ele recomenda que os agricultores usem dados meteorológicos e o histórico das lavouras para montar um plano de tratos culturais e fitossanitários.
A assistência técnica ganha importância diante da sucessão de eventos climáticos extremos. Rocha defende que o produtor conheça a propriedade antes de definir investimentos e manejo: “Gestão se faz em cima de informação”, resume.
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Cultura do milho avança; arroz recua
O milho é outro destaque da projeção. A área plantada deve crescer 7,42%, de 834,444 mil para 896,401 mil hectares. A produtividade tem previsão de recuar levemente – 0,25% –, para 7.711 quilos por hectare, mas a produção deve avançar 7,2%, de 6,449 milhões para 6,912 milhões de toneladas. Para Rocha, a expansão reflete a importância da cultura, sobretudo na produção animal. “O milho é a energia da propriedade, o que traz vigor às nossas produções.”
O crescimento também é atribuído a políticas públicas: 57 mil produtores foram beneficiados por programas voltados ao milho, que ampliaram o acesso a sementes. O secretário Gustavo Paim destaca o Programa Milho 100%, responsável por 135 mil sacas neste ano, pouco mais de 10% da área plantada de milho no Estado. A expectativa é reduzir gradualmente o déficit de produção gaúcho e a necessidade de importar milho de outras regiões.
Na contramão da soja e do milho, o arroz deve registrar queda. A área cultivada é estimada em 861,779 mil hectares, redução de 3,4%. A produção deve chegar a 7,533 milhões de toneladas, 5,5% abaixo das 7,971 milhões da safra anterior, conforme o Irga. A produtividade prevista é de 8.714 kg/ha, recuo de 2,21%.
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O feijão de primeira safra também deve perder área, com redução de 6,36%, para 24,587 mil hectares, e produção estimada em 43,244 mil toneladas. Já o sorgo deve avançar 5%, alcançando 12,486 mil hectares.
Apesar dos riscos climáticos, a projeção inicial da Emater é positiva. A recuperação da soja, o avanço do milho e a expectativa de melhores condições hídricas podem resultar em uma safra significativamente maior. O desafio será aproveitar a água disponível sem perder as janelas de plantio em uma temporada marcada pela possibilidade de excesso de chuva.
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