Patrono da Feira do Livro de Vera Cruz, o escritor, jornalista e professor Ricardo Düren defendeu o incentivo à leitura e o uso responsável da inteligência artificial durante uma roda de conversa no sábado, 5, no Parque da Feira da Produção. Ao lado dos escritores Mauro Ulrich, Cassionei Niches Petry, José Renato Ribeiro, Marli Silveira e Heloísa Poll, ele compartilhou experiências de sua trajetória e discorreu sobre a relação entre literatura, jornalismo e a apuração de histórias reais. A programação da feira, de quinta a domingo, reuniu mais de 3 mil livros, apresentações de teatro, shows musicais, feira de artesanato e exposição de carros antigos.
Para Düren, o gosto pela literatura nasceu ainda na infância, estimulado pelo acesso à biblioteca da escola Willy Carlos Fröhlich, o Polivalente, em Santa Cruz do Sul, onde estudou. O incentivo veio principalmente do pai, o professor Luiz Carlos Düren, que o levava à biblioteca e aproximava o filho dos livros.
O futuro escritor, porém, começou longe dos clássicos recomendados pela escola: foram os livros de faroeste e as histórias de guerra que despertaram seu interesse pela leitura e, mais tarde, pela escrita. “Quando a gente se torna um leitor voraz, bate uma dor de cotovelo em relação ao escritor e a gente quer ser igual”, brincou.
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O jornalismo surgiu depois, como forma de aproximar o sonho de ser escritor da necessidade de construir uma profissão, e acabou ocupando espaço central em sua vida pela rotina intensa e a missão constante de contar histórias. Ao mesmo tempo, a experiência com a apuração de fatos reais passou a alimentar sua produção literária – transição visível em obras como Crônica Policial, Caso Kliemann e, mais recentemente, Menino Diabo, pesquisa histórica sobre um personagem ligado à Revolução Farroupilha e às lendas de um tesouro escondido em Rio Pardo.
A pesquisa para Menino Diabo também revelou histórias de personagens desconhecidos ligados à imigração germânica e à formação do Vale do Sinos: homens e mulheres que enfrentaram a travessia do Atlântico, dificuldades econômicas e o desafio de estabelecer suas propriedades. Para o escritor, preservar essas trajetórias é uma forma de impedir que vidas marcadas por verdadeiras epopeias desapareçam da memória coletiva. “Contar histórias de anônimos, perpetuar essas histórias e fazer com que estejam ali no formato de um livro” é, segundo ele, uma das principais motivações de sua produção atual.

Ricardo Düren e convidados trocaram experiências e responderam às perguntas da plateia durante conversa no sábado | Foto: Rodrigo Assmann
Importância de incentivar a leitura entre as crianças
Sobre o convite para ser patrono da feira, Düren classificou a escolha como uma honra e também um compromisso: aproximar crianças e jovens dos livros em uma época de consumo intenso de vídeos e redes sociais. “Se a gente conseguir convencer uma criança, duas ou três, a se tornar um grande leitor, vai ter valido a pena”, afirmou. Para ele, a relação com a leitura segue como uma espécie de vício positivo que começou na infância e continua guiando suas escolhas profissionais e literárias.
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A inteligência artificial também entrou na conversa. Düren rejeitou tanto a demonização da tecnologia quanto a ideia de que ela possa substituir o trabalho humano. Embora não a use para escrever seus livros, reconheceu que ferramentas desse tipo podem auxiliar em processos como revisão e síntese, desde que haja supervisão. Para ele, aspectos como ironia, poesia e certos sentimentos ainda dependem da sensibilidade humana. “Ela é um auxílio que vem e ajuda, mas não substitui o ser humano”, resumiu – encerrando uma conversa que teve como eixo a permanência da literatura e do jornalismo diante de rápidas transformações tecnológicas.
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