Não importa a idade, sempre é tempo de se tornar mãe. E filha. Pelo menos é isso que mostra a história de Sofia Cristina Pretzel, 20 anos, e de Maria Elena Schwengber, 54. A relação de aluna e professora, quando a jovem estava no terceiro ano do ensino médio, se tornou bem mais forte do que costuma acontecer. A “mami” da Sofia passou a fazer parte da família Pretzel desde que a ainda adolescente escolheu a professora para ser sua mãe. Mas a opção não foi superficial. A empatia entre as duas e a sensibilidade de Sofia fizeram com que o amor de mãe e filha se reconhecesse.
“A Sofia era uma aluna maravilhosa, querida, doce, meiga, amada. Sentia uma empatia muito grande por ela. Eu tinha uma tia chamada Sofia que adoeceu em 2012 e recebi a notícia enquanto estava na sala de aula. A Sofia, minha aluna, percebeu e perguntou o eu que tinha. Logo depois, quando minha tia faleceu, a Sofia disse ‘agora eu vou ser a tua Sofia’ e salvou o número do telefone dela no meu celular como ‘Sofia filha’. A partir dali nunca mais nos largamos”, conta Maria Elena.
Com a jovem não foi diferente. Um sentimento muito mais forte a conectava com a professora. “Quando ela começou a dar aula já gostei muito dela. E a mami tem jeito de mãe, o jeito da minha mãe também. No episódio da tia dela, eu abracei ela pra mim porque eu sentia isso, eu tinha essa visão dela como mãe”, comenta Sofia.
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Sem filhos biológicos, a professora diz que no magistério acaba recebendo muitos filhos, mas garante que com nenhum aluno a relação é tão estreita quanto com Sofia. “Eu já tenho uma afilhada, a Patrícia, com quem tenho uma relação muito próxima. No entanto, aluno que se aproximou com essa história, com esse teor emotivo, foi só a Sofia. E claro que ela tomou conta, né? Aí já entrou na história a família. Eu tenho muito medo de melindrar a Neusa, mãe dela. As irmãs da Sofia também me chamam de mãe e isso é maravilhoso por ser uma escolha delas.”
“Papai do céu me deu uma filha assim, pronta”
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O primeiro programa delas como mãe e filha assumidas foi a formatura da Sofia, no ensino médio, em que Maria ficou na mesa com a família. “Ali eu não era professora, ali era mãe.” Depois, os encontros e visitas foram se tornando frequentes. “Nos ligamos muito, tiramos fotos e temos muita saudade uma da outra. Nos dias comemorativos, como Natal e Páscoa, é sagrado: precisamos nos encontrar. Trocamos presentes, fazemos de tudo”, diz a filha de coração. “Ela é como se fosse minha filha mesmo. Papai do céu me deu uma filha assim, pronta”, diz Maria Elena.
Tentando driblar a correria do dia a dia, de vez em quando, só dá tempo de tomar um café para colocar a conversa em dia e amenizar a saudade. Aliás, assunto entre elas é o que não falta. “A Sofia viaja muito e eu praticamente vou junto, de tanto que ela conta. Falamos do namoro da Sofia, dos segredos dela e eu falo muita coisa da minha vida. Ela se interessa pela minha vida. Participamos muito da vida uma da outra”, revela a professora.
Com tanto amor e carinho, seria natural que a mãe biológica da menina, a Neusa, sentisse um pouco de ciúme. “Ela não parece ter, mas não sei… Não tenho certeza”, fala Sofia. “Eu já acho que tem, sim. Eu pelo menos teria. Mas a Neusa é muito tranquila, ela me cedeu a Sofia”, comenta Maria Elena.
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