Durante o primeiro julgamento do incêndio ocorrido na Boate Kiss, em Santa Maria, em janeiro de 2013, foi realizado na tarde desta terça-feira, 2. Nele, três membros do Corpo de Bombeiros foram ouvidos. As atividades tiveram início na manhã com a leitura do relatório do inquérito da Polícia Militar ao longo de três horas. Após a realização de um intervalo, a sessão foi retomada pela juíza Viviane de Freitas Pereira e os promotores Joel Oliveira Dutra e César Carlan, que sustentaram a acusação sobre suspeitas de irregularidades nos alvarás dos Bombeiros emitidos para a casa noturna em 2009 e 2011. Oito membros da corporação estão citados no processo. A audiência durou em torno de 11 horas.
O tenente-coronel Moisés da Silva Fuchs, ex-titular do 4º Comando Regional dos Bombeiros; o tenente-coronel da reserva Daniel da Silva Adriano, que chefiava a Seção de Prevenção a Incêndio (SPI) quando ocorreu a concessão do primeiro alvará para a boate; e o capitão Alex da Rocha Camillo, responsável por ter assinado o segundo alvará da Kiss foram ouvidos na tarde de hoje. Segundo os representantes do MP, foram expedidos documentos aos sistemas de Prevenção e Proteção contra Incêndio do estabelecimento sem serem observadas leis municipais e estaduais. Os promotores também defenderam que o comando da corporação teria sido condescendente com o bombeiro proprietário da empresa que solicitava encaminhamento dos PPCIs, o que configura um ato de prevaricação.
Feitas as acusações, a defesa dos réus teve tempo para organizar e elaborar as argumentações. Werley Alves Filho, defensor dos oficiais Moisés Fuchs e Alex Camilo, reforçou que seus clientes não alteraram nenhum documento no que diz respeito à liberação de alvará para a boate. Já Luiz Carlos Ferreira, advogado do tenente-coronel Daniel da Silva Adriano, afirmou que não existe qualquer indício de falsidade ideológica nos documentos de inspeção e alvará da boate.
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No último dia de audiência, os soldados Gilson Martins Dias e Vagner Guimarães Coelho, que fizeram a última vistoria na boate em 2011; o soldado Marcos Vinicius Lopes Bastide, que inspecionou a Kiss; o sargento Renan Severeo Berleze, que integrava o setor de análise de PPCIs; e o sargento Sergio Roberto Oliveira de Andrade, que atuava na SPI, serão julgados. No fim, a juíza e o Conselho de Justiça vão votar e dar a sentença em relação aos oito réus. O Tribunal de Justiça Militar do RS ainda poderá entrar com recurso.