Com fortes críticas à articulação política do Palácio do Planalto, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) foi eleito nesta terça-feira, 10, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O petista prometeu discutir as medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo federal, assim como chamar ministros para explicá-las aos senadores, mas disse que se o Planalto não melhorar seu diálogo com o Congresso, haverá dificuldades para o governo emplacar o ajuste. “Está faltando política. O momento hoje é muito ruim e, sem dúvida nenhuma, esse cenário influencia as votações. Se não melhorar a coordenação política, vou usar uma frase de um pensador alemão: dê-me uma boa política que eu lhe dou uma boa economia. Sem política, não tem nada não”, afirmou o petista.
Aliado da presidente Dilma Rousseff, Delcídio disse que os congressistas ficam sabendo pelos jornais sobre as medidas adotadas pelo governo, que não são negociadas previamente com o Legislativo. A insatisfação do petista também se replica entre membros do PT e partidos aliado de Dilma, que ameaçam derrubar as medidas do ajuste quando forem analisadas pelo Congresso. “O Congresso pode estar em crise, mas é muito forte. Se o Congresso não estiver alinhado pelo menos com pauta mínima construída no diálogo, nós não caminhamos. As medidas do ajuste fiscal ninguém tem dúvidas de que são necessárias, mas tem que conversar com a classe política, preparar a edição dessas medidas provisórias”, afirmou.
Delcídio citou como exemplo a votação do veto à correção de 6,5% na tabela do Imposto de Renda, marcada para esta quarta, 11, no plenário do Congresso. O petista disse que não sabia que o governo prepara uma proposta alternativa, a ser apresentada aos deputados e senadores, para evitar a derrubada do veto. “Vi nos jornais que vão apresentar uma proposta. Ontem eu conversei com o Renan e ele disse que ia votar o veto dos 6,5%. Ou seja: até ontem à tarde, o presidente do Congresso estava mantendo a votação dos vetos. Hoje abro o jornal e diz que vem uma proposta. Por o governo que não se antecipa?”, questionou.
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