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Rio 2016

Os feitos do santa-cruzense Bolívar

Ele ainda tinha 13 anos quando batia aquela bolinha na Rua Dom Pedro II, no Bairro Bom Jesus, em Santa Cruz do Sul. Naquele embalo em que intercalava um jogo e outro com os estudos e trabalho em uma fumageira, Bolívar Modualdo Guedes já almejava ser jogador de futebol. O olhar atento do técnico conhecido como Gaúcho auxiliou no caminho para que o sonho se tornasse realidade. Através de um convite, passou a integrar o time do Avenida. Dali em diante não parou mais. Saiu do Bom Jesus para desbravar o Estado, o País e o Mundo. Fez seus feitos, vestiu a camisa de times importantes e ainda deixou uma herança para o futebol: o filho Fabian Guedes – também conhecido como Bolívar – seguiu as façanhas do pai e veio a se tornar um dos mais conhecidos ídolos colorados. Antes disso, porém, foi o patriarca quem fez história.

O talento singular com a bola fez o garoto ir longe. Sem nunca ter pisado em um grande estádio de futebol, se viu, aos 14 anos, em frente ao portão do Monumental Olímpico. “Eu fiquei sabendo que haveria uma bateria de testes para novos jogadores. Meus pais me acharam um pouco precoce, mas não dei bola.” Naquele dia, as pernas que eram acostumadas a protagonizar dribles desconcertantes tremeram. Mas logo trataram de mostrar a que vieram. Ponta-esquerda, emplacou dois gols, desempenho suficiente para que os avaliadores não tivessem dúvidas: o santa-cruzense já era membro do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Após a admissão no time, o jogador vestiu a camisa gremista por oito anos. Depois disso, se aventurou em terras paulistas e integrou as equipes da Portuguesa, Inter de Limeira e Bragantino. Aliás, nos 100 anos de história do Limeira, Bolívar foi o atleta que mais partidas jogou: 294. Em sua trajetória futebolística, ainda passou pelo Guarani, de Venâncio Aires, Aimoré, em São Leopoldo, Bandeirante de Birigui, São Paulo, e encerrou a jornada, em 1991, onde tudo começou, no Avenida. A lição mais preciosa de todo esse envolvimento com o esporte, o ex-jogador tem na ponta da língua. “Não existe nenhuma conquista sem dedicação e amor. O próprio espírito olímpico nos ensina isso”, afirma.

Na Olimpíada de Munique, Bolívar viveu da euforia ao susto

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Bolívar ainda era um guri quando foi convocado para jogar na Seleção Brasileira Sub-20. Ao lado de nomes como Falcão, conquistou pela equipe a primeira colocação no Torneio de Cannes, na França. Poucos meses depois, com apenas 17 anos, seguiu rumo aos Jogos Olímpicos de Munique em  1972 e se tornou o primeiro atleta santa-cruzense a participar de uma Olimpíada. Apesar de ter integrado uma rotina árdua de treinamentos antes de embarcar rumo às terras europeias, a seleção não passou da primeira fase. “Isso não me desanimou, pelo contrário. Estávamos jogando contra os grandes nomes da Europa. Fui lá e representei o meu País, a minha cidade e o meu bairro com muito orgulho”, comenta.

Daqueles dias, porém, uma lembrança incomoda Bolívar. Trata-se do ataque terrorista que aconteceu na Vila Olímpica da cidade germânica. Em 5 de setembro, o local foi cenário de um atentado que vitimou 18 pessoas entre atletas israelenses, terroristas palestinos e policiais. Da janela do quarto, o jogador recorda de escutar os tiros.  “Foi muito impactante. Esse ataque acabou com o brilho do evento. No dia seguinte ao massacre fomos embora, não havia mais clima.”

Às vésperas da realização de mais uma Olimpíada, desta vez no Brasil, Bolívar promete estar atento. Lamenta, entretanto, os problemas estruturais que vêm ocorrendo na Vila  Olímpica carioca. “Quando chegamos em Munique tudo estava 100% e não havia qualquer motivo para reclamação. É uma pena esse cenário aqui no Rio.” Mas se em termos de organização as expectativas não são lá as melhores, no que diz respeito ao desempenho dos atletas brasileiros, Bolívar está confiante. Em especial quando o assunto é futebol. “Acho que está chegando a hora de o Brasil ganhar uma medalha de ouro”, opina.

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O lar é em Santa Cruz

Bolívar pode até ter circulado por diversas cidades Brasil afora, mas nunca teve dúvidas de que retornaria a Santa Cruz. E foi exatamente o que fez. Após se aposentar dos gramados, em 91, voltou a fixar residência não só na cidade onde nasceu, mas no mesmo bairro que protagonizou aquelas velhas peladas de rua. No Bom Jesus compartilha a rotina com a esposa – também santa-cruzense – Leilane Isolete Guedes, convida os amigos para o churrasquinho de fim de semana e ainda encontra tempo para deixar a saúde em dia e executar suas corridas diárias. Outra grande paixão do ex-jogador está traduzida em seis nomes: Tales, Victória, Kevin, Vallentina, Nicholas e Noah. São os pequenos que fazem de Bolívar um vovô coruja daqueles. “Seja em Santa Cruz ou em Porto Alegre, procuro passar muito tempo ao lado deles. Aliás, espero que ao menos um siga no futebol. Daí o vovô vai ficar bem feliz.”

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