Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

O poder da ambiguidade

Amigos do Cinema exibe filme com Peter Sellers

A Associação dos Amigos do Cinema exibe nesta terça-feira, 12, a partir das 20 horas, Muito Além do Jardim (1979), de Hal Ashby. A sessão ocorrerá no auditório do Sindicato dos Bancários (Sindibancários – Rua Sete de Setembro, 489), com entrada franca. No entanto, você pode aproveitar a oportunidade e se inscrever no cineclube. Não é cobrada a taxa de inscrição, mas uma mensalidade de R$ 10,00. No filme de Ashby, Peter Sellers é Chance, um homem ingênuo, que passa toda a sua vida cuidando de um jardim e vendo televisão, seu único contato com o mundo. O roteiro escrito por Jerzy Kosinski é baseado na novela homônima O Videota, de sua autoria

Chance nunca entrou em um carro, não sabe ler ou escrever, não tem carteira de identidade, resumindo: não existe oficialmente. Quando seu patrão morre, ele é obrigado a deixar a casa em que sempre viveu e, acidentalmente, é atropelado pelo automóvel de Benjamin Rand (Melvyn Douglas), um grande magnata que se torna seu amigo e chega a apresentá-lo ao presidente (Jack Warden). Curiosamente, tudo o que é dito por Chance ou até mesmo o seu silêncio é considerado genial. Paralelamente, a saúde de Benjamin está crítica e Eve Rand (Shirley MacLaine), sua esposa, se apaixona por Chance.

Indicado à Palma de Ouro, Muito Além do Jardim rendeu um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Melvyn Douglas. Seller concorreu a Melhor Ator, mas não levou. O papel de Benjamin Rand foi oferecido a Laurence Olivier, que recusou a oferta após ler o roteiro completo e verificar que a atriz Shirley MacLaine teria que interpretar uma cena de masturbação – a tal cena precisou ser filmada 17 vezes.

Publicidade

Muitos consideram o filme uma das melhores críticas à sociedade já retratadas no cimena. Mostra claramente o poder da mídia e de como um discurso curto e ambíguo aliado a conexões poderosas pode controlar a política mundial. Alguns críticos argumentam que esse tipo de produção, quando bem realizada, pode causar profundas mudanças no pensamento social e retirar as pessoas da alienação em que se encontram. Os diálogos são muito bem construídos e utilizam com eficácia o poder do duplo sentido. E Peter Sellers nos dá uma das melhores atuações já mostradas no cinema, praticamente perfeita e lendária. A cena final dá margens para infinitas interpretações.

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.