Um dia após a Hungria fechar parte de sua fronteira com cercas e endurecer as penas para pessoas que entrarem irregularmente em seu território, dezenas de migrantes e refugiados que tentam ir à União Europeia adotaram nesta quarta-feira,16, uma nova rota, cruzando a fronteira entre a Sérvia e a Croácia. Em discurso no Parlamento nesta quarta, o primeiro-ministro da Croácia, Zoran Milanovic, criticou as ações restritivas da Hungria e disse que seu país “está pronto para aceitar e direcionar” o crescente fluxo de pessoas.
Em referência à cerca húngara, o premiê disse que “arames farpados no século 21 não são uma resposta, são uma ameaça”. Ele afirmou que ao menos 150 pessoas entraram na Croácia desde que o país vizinho intensificou sua repressão sobre migrantes e refugiados. Apesar das dificuldades para entrar na Hungria, alguns grupos conseguiram atravessar a cerca de 175 quilômetros de extensão na fronteira com a Sérvia.
Desde terça, as autoridades húngaras detiveram ao menos 519 migrantes e refugiados irregulares e abriram 46 processos criminais para puni-los. Segundo a polícia húngara, mais de 200 mil refugiados e imigrantes entraram no país recentemente. A maior parte deles atravessou a fronteira a partir da Sérvia e, em quase todos os casos, as pessoas seguiram viagem sentido oeste.
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A Europa vive atualmente uma intensa crise migratória que põe em xeque instituições comunitárias como a livre circulação de pessoas entre os países da área de Schengen. Segundo a Acnur (Alto-comissariado das Nações Unidas para Refugiados), mais de 380 mil pessoas atravessaram o Mediterrâneo para tentar entrar na Europa desde o início do ano.
Após desembarcar em países costeiros como Itália e Grécia, milhares de pessoas cruzam o continente para buscar asilo em países mais ricos e receptivos, como a Alemanha, que prevê receber até 1 milhão de pessoas em 2015. Na fronteira húngara, um refugiado de origem síria disse através da cerca a uma policial: “Por favor, deixe-me ir. A [chanceler Angela] Merkel nos deu OK para irmos à Alemanha, porque a Hungria diz não?”
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