
Monumento simboliza o orgulho da tradição
Quem passa pela ERS-347, entre Ibarama e Sobradinho, não pode deixar de dar uma paradinha na comunidade de Campestre, berço da imigração italiana no Centro Serra. Mesmo aqueles que já estão acostumados com a paisagem podem perceber que há, ao lado do salão, uma imponente construção cheia de simbologia e significados que extrapolam os limites do Centro Serra.
O Monumento do Imigrante, obra planejada e moldada pelas mãos dos descendentes das famílias que chegaram e fundaram a localidade em meados de 1919. O primeiro italiano a aportar em Sobradinho foi Angelo Pasqualin, em 1892. Uma prova de que a história de Campestre é tão antiga quanto cheia de trabalho e dedicação. A obra será inaugurada no dia 18 de maio durante uma grande festa que inclui missa, descerramento da placa com os filhos dos fundadores presentes, homenagem às famílias e almoço.
Conforme o gringo, descendente de uma das primeiras famílias que chegaram a Campestre Arlindo Cella, a construção tem como principal foco a “lembrança de uma bonita história”. “A comunidade foi fundada em 1919 por famílias que vieram de várias partes da Itália e falavam muitos dialetos”, conta. A ideia partiu do grupo de italianos que visitou Sobradinho, tanto em 2004 quanto em 2006, que cobraram uma estátua para identificar o local. “Quando eles visitaram a Rota dos Casarões, Lucio Vigollo e Inerio Berlatto pediram que a gente enriquecesse o roteiro turístico com um monumento. Isso reforçará a história da imigração. Em qualquer projeto comunitário, primeiro é preciso lançar a ideia e depois esperar que amadureça. Não foi diferente com a própria Rota dos Casarões e o Festival do Vinho. No final, deu tudo certo”, comenta Arlindo.
Simbologia
O Monumento foi construído em forma de pipa porque quando as pessoas construíram a Capela, em 1919, todas cultivavam videiras, faziam vinho e derivados para o próprio consumo.
A obra também é feita em forma de pirâmide, pois conforme os idealizadores a família italiana é uma espécie de “triângulo: família, religiosidade e trabalho”. “Quando chegaram eles queriam colonizar essa terra e se reuniam para rezar, contar histórias e cantar”, salienta.
Quando o projeto foi apresentado, explica Cella, todos foram avisados de que contribuiriam com o que pudessem para construir o monumento. “Não havia valor fixo e cada um deu o que podia. As pedras irregulares demonstram esses valores diferentes. Aurélio Tolotti, por exemplo, doou a placa e 20 sacos de cimento para a obra”, diz.
Para entrar na história
O Monumento do Imigrante foi totalmente construído com arrecadação de dinheiro entre os moradores da comunidade. “Na primeira semana eu senti firmeza no projeto e me dediquei de corpo e alma a essa homenagem. Espero que todos venham conhecer e saborear um almoço conosco. A ficha custa R$ 20,00”