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LITERATURA

Aqueles que vieram de Luxemburgo

LUXEMBURGUESES NO BRASIL, de Felipe Kuhn Braun. Estância Velha: ZMulti, 2025. 160 p. R$ 80,00

Logo após a independência do Brasil, milhares de europeus começaram a chegar a diferentes regiões do País em projetos de colonização de áreas até então pouco habitadas. Destacaram-se no princípio os alemães, que se fixaram em maior número em São Leopoldo e arredores. Mas já dos primeiros grupos fizeram parte famílias oriundas de uma pequena nação, cuja área total atualmente não chega a ter nem quatro vezes o tamanho do município de Santa Cruz do Sul. Foi de Luxemburgo, grão-ducado situado entre a França e a Alemanha, que muitos partiram com o objetivo de, a exemplo dos demais, tentar a vida muito longe, no Sul do Brasil.

É essa saga, em grande medida similar à de outras etnias e outros povos, que agora é iluminada por livro assinado pelo jornalista, historiador e escritor Felipe Kuhn Braun, de Novo Hamburgo, onde também é vereador. O volume Luxemburgueses no Brasil foi lançado pela editora ZMulti, de Estância Velha, em 160 páginas (a R$ 80,00), e centra o olhar no contexto em que colonos oriundos daquela área da Europa começaram a chegar ao Brasil. A pesquisa de Braun teve o estímulo inicial da Associação dos Cidadãos Luxemburgueses no Brasil (Aclux), fundada em 2019, com sede em Florianópolis, cuja presidente, Luciana Decker, assina a apresentação.

O livro proporciona ao leitor, seja o descendente de luxemburgueses, seja o de outras etnias, um entendimento das circunstâncias históricas nas quais esse hoje grão-ducado surgiu. De maneira didática, elenca fatos, personagens e idas e vindas de decisões geopolíticas que, ao longo de séculos, levaram à atual conformação da nação. Luxemburgo é uma das menores nações da Europa, com seus 2.586 quilômetros quadrados (para comparação, o município de Santa Cruz do Sul tem cerca de 734 km2) nos quais vivem 661 mil habitantes (uma vez e meia a população de Caxias do Sul).

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Os primeiros cidadãos de lá advindos já integravam grupos que se fixaram em São Leopoldo, a partir de 1828, e passaram a se estabelecer em outras linhas do entorno. Em um segundo momento, luxemburgueses chegaram a Santa Catarina e ao Paraná, além de outros estados. Na cena cultural, vale referir que são descendentes de luxemburgueses, por exemplo, a atriz Malu Mader e o escritor Huberto Rohden. 

Não há registros pontuais de grupos tendo se dirigido à Colônia de Santa Cruz, mas em migrações posteriores é provável que alguns tenham optado por essa área. Sobrenomes como Haag, Decker, Koch, Kurth, Lux, May, Meyer, Reiter, entre outros, sinalizam nessa direção. De toda forma, e ainda que tenha sido em menor número, a imigração luxemburguesa salienta a sua contribuição para a cultura e a socioeconomia brasileira.

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Referência: panorama da Cidade de Luxemburgo, capital do Grão-Ducado

Uma rica, complexa e conturbada história de influências ao longo dos séculos

A história de Luxemburgo é mais do que milenar. Nessa condição, está imbricada na complexa formação dos estados modernos em território europeu, tendo relação direta com muitos personagens que moldaram essa sociedade. E não é por acaso: situada entre a França e a Alemanha, e convivendo com povos de culturas distintas, das quais sofreu influências múltiplas, está também muito próxima do Mar do Norte, e tanto a Bélgica quanto os Países Baixos sempre estenderam suas sombras para essa vizinhança.

Como o livro de Braun indica, uma primeira referência indispensável é o ano de 963, quando Siegfried da Lorena adquiriu da Abadia Saint Maximin de Trier (em cujo mosteiro trabalhava como administrador) um forte, localizado sobre um rochedo conhecido como Lucilinburhuc, e ali se estabeleceu. Situado em local de destaque e amplamente visível, tornou-se referência. Estava ali a marcação histórica (e de nome) para o que viria a se tornar o moderno Grão-Ducado de Luxemburgo.

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Entra década, sai década, geração a geração, essa região pertenceu a diferentes famílias, proprietários e nações, virando condado, depois ducado, ora com autonomia, ora com nenhuma. Ao mesmo tempo, sua língua sofreu as mais diversas contribuições, particularmente do alemão e do francês. O Luxemburgo atual, lembra Braun, tem cerca de 20% do território que possuía em 1690. Por mais de quatro séculos, esteve sob a soberania de estados como a Prússia, a França, a Bélgica e os Países Baixos, e destes últimos finalmente se independeu, em 1839.

Na primeira metade do século 19, e em sequência ao cenário político posterior à Revolução Francesa, a exemplo das dificuldades econômicas reinantes em boa parte da Europa, as condições de vida eram muito precárias também para os luxemburgueses. Foi nesse contexto que, ao lado de tantos outros povos, eles saíram para o mundo.

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Luxemburgueses no Brasil é o 35o livro com a assinatura de Braun, entre os de sua exclusiva autoria e outros em coautoria, como os com o historiador Sandro Blume. Tem se dedicado com afinco a resgatar aspectos da colonização alemã no Brasil, e ainda das circunstâncias sociais, políticas e econômicas na Europa na época do auge da emigração. Ao mesmo tempo, aprofunda os estudos sobre o desenvolvimento de colônias e localidades das áreas pioneiras de São Leopoldo e do Vale dos Sinos. 

Em paralelo, exerce funções de liderança na área cultural, sendo atualmente presidente da Federação dos Centros de Cultura Alemã do Brasil (Feccab), cuja proeminência e cuja abrangência se empenha para ampliar. Nessa condição, mantém vínculos regulares com Santa Cruz do Sul.

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