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A desigualdade aparece quando a água sobe

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul deixaram marcas visíveis: ruas destruídas, casas alagadas, famílias fora de casa. Mas houve uma perda menos comentada, que aconteceu longe das câmeras: milhares de crianças ficaram sem escola. E isso não atingiu a todos da mesma forma.

Em muitos municípios as escolas demoraram a reabrir. Foram dias, meses, sem aula, sem merenda, sem rotina. Para quem vive em situação de vulnerabilidade, a escola não é apenas um espaço de aprendizagem. É também um lugar de cuidado, proteção e apoio. Quando ela fecha, o impacto vai muito além do conteúdo que deixa de ser ensinado.

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Essa percepção não é apenas intuitiva. Dados analisados na pesquisa Socioeconomic Vulnerability and Natural Disasters: An Exploratory Analysis of Floods and Their Effects on Education in Rio Grande do Sul mostram que escolas socioeconomicamente vulneráveis permaneceram fechadas por mais tempo durante as enchentes de 2024. Ou seja, o desastre natural escancarou desigualdades que já estavam ali, antes mesmo de a água subir.

Para algumas famílias, a interrupção das aulas foi apenas um transtorno. Para outras, foi um abismo. Enquanto estudantes com mais recursos conseguiram manter alguma continuidade dos estudos, com aulas online, apoio familiar ou materiais extras, muitas crianças simplesmente ficaram para trás. Sem computador, sem internet, sem ninguém que pudesse substituir o papel da escola.

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Os prejuízos não terminam quando as portas finalmente reabrem. Quanto maior o tempo longe da sala de aula, maiores as dificuldades de aprendizagem e maior o risco de atrasos que acompanham o estudante por toda a trajetória escolar.

As enchentes também escancaram um problema estrutural antigo: escolas situadas em áreas mais vulneráveis costumam ter menos recursos, pior infraestrutura e menor capacidade de resposta a emergências. São justamente essas que demoram mais a retomar as atividades, aprofundando desigualdades que começaram muito antes da chuva.

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As mudanças climáticas intensificam eventos extremos. Tratar seus impactos sobre a educação como algo inevitável não é neutralidade, mas uma escolha de Política Pública. Quando o poder público deixa de investir na infraestrutura escolar, na adaptação física dos prédios e na recuperação rápida das escolas, sobretudo nos territórios mais vulneráveis, acaba definindo quem consegue seguir estudando e quem fica pelo caminho.

Porque, quando uma escola fecha por causa de uma enchente, não é apenas o calendário letivo que atrasa. É a igualdade de oportunidades que fica submersa.

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