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Eleições 2016

“A população está cansada de ataques”, diz cineasta

Apontados como determinantes para o retumbante desempenho do prefeito de Santa Cruz do Sul, Telmo Kirst (PP), na eleição de domingo, quando foi reeleito com 52% dos votos, os programas eleitorais na televisão tinham a assinatura do cineasta Beto Picasso. A estratégia, hoje elogiada até por adversários, foi de não responder às provocações que vinham do outro lado e de consolidar Telmo como gestor. “A nossa estratégia foi que nós nunca seríamos pautados por ele (Sérgio Moraes)”, afirmou Picasso.

Diretor de televisão freelancer, Picasso tem passagem pela RBS TV, atua em comerciais, já dirigiu sete longa-metragens e 40 curtas, é formado em Processos Gerenciais e está fazendo especialização em Gestão Cultural. Se tornou o diretor dos programas de Telmo por indicação dos cineastas que comandaram a propaganda eleitoral do progressista em 2012.

A vitória de Telmo é mais um trunfo no currículo de Picasso. Ele também dirigiu os programas da campanha vitoriosa da ex-governadora Yeda Crusius (PSDB) ao Piratini em 2006 e na reeleição de José Fogaça (PMDB) para a Prefeitura de Porto Alegre, em 2008. Também comandou a propaganda eleitoral de Antônio Britto (PPS) ao governo do Estado em 2002 e de Assis Melo (PCdoB) para a Prefeitura de Caxias do Sul em 2012.

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ENTREVISTA

Gazeta do Sul – Como foi a concepção dos programas da campanha de Telmo?
Beto Picasso – Tínhamos uma equipe com vários departamentos. Criávamos um conceito e isso era ou não aprovado pela coordenação. Nossa ideia era mostrar tudo o que a gestão já tinha feito pela cidade, porque às vezes as pessoas não enxergam tudo aquilo que foi realizado. Traçamos uma meta de mostrar tudo aquilo que foi feito e depois colocar novas propostas. Isso fez com que as pessoas se sentissem respeitadas pelo voto na outra eleição e logicamente querendo dar um voto novamente para seguir esse trabalho.

Gazeta – Quem participava da concepção e quem definia os assuntos?
Picasso – Éramos entre cinco pessoas. Eu, o coordenador da campanha, o Henrique Hermany, o Edemilson Severo, outros dois roteiristas e, ajudando na estratégia, um sociólogo. Estruturamos bem isso dez dias antes do começo do pleito. Tudo foi bem segmentado, assim como funciona no cinema. Nenhuma área funcionava se não tivesse a ajuda da outra. Antes de começar a campanha tínhamos definido um esqueleto principal, com a ajuda de toda a equipe. Separado por tópicos, por maior relevância e menor relevância. Assim fomos montando nossa estratégia. Já os últimos programas de qualquer campanha são com o candidato falando diretamente com a população. Traçamos uma estratégia daquilo que foi feito pelo governo e depois passamos para a fase de mostrar propostas, para que as pessoas confiassem nessa gestão. 

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Gazeta – O prefeito Telmo Kirst também intervinha nos programas?
Picasso – Todo processo tem um líder. Os nossos eram o Telmo e a dona Helena. Tudo era passado por eles, e o “pitaco” final era deles. Não tínhamos muito tempo para mostrar tudo o que eles fizeram, por isso segmentamos bastante, em saúde, educação e outras áreas. Eles entenderam tudo isso e compraram a nossa ideia. Isso foi determinante para o resultado que tivemos. 

Gazeta – Na opinião do senhor, a TV e o rádio foram preponderantes para a vitória?
Picasso – É claro que a televisão e o rádio são importantes e pesam no resultado final, mas tivemos um processo curto. Essa campanha foi diferente, diária e com tempo menor. Pedimos licença para entrar na casa das pessoas e elas acreditaram no nosso trabalho. Fomos propositivos, mantivemos uma estética bonita, isso gerou uma satisfação nos eleitores. Não agredimos ninguém, a população está cansada dessa velha política de ataques. Tínhamos os melhores candidatos e equipe. As pessoas não querem ser mais enganadas. Isso gerou satisfação nos eleitores, mas nenhum programa de TV é melhor que um bom candidato.

Gazeta – Mesmo partindo de um cenário ruim, com Telmo mais de dez pontos atrás do principal adversário, Sérgio Moraes (PTB), por que não responder às provocações?
Picasso – A nossa estratégia foi que nunca seríamos pautados por ele (Sérgio Moraes). O jogo do Sérgio era muito claro. Óbvio que eu estudei muito a personalidade e vida dele. Como eram sua índole, suas propostas. Em um determinado momento pensamos em responder, mas como nós reagimos nas pesquisas, não tínhamos por que mudar a estratégia. 

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Gazeta – Sérgio Moraes optou por programas muito simples, quase caseiros. Já vocês investiram em programas esteticamente muito bem resolvidos. Isso fez diferença?
Picasso – O audiovisual brasileiro é muito forte. Nós temos novelas maravilhosas, uma TV de qualidade. É uma indústria muito forte. Uma pessoa normal sabe aquilo que é esteticamente belo. Um cidadão normal tem uma concepção daquilo que é bonito, então eu não posso regredir. O eleitor não gosta disso, ele se acostuma com o que é bom, com um tom correto, com propostas boas. Já o outro adversário somente vinha batendo.

Gazeta – O senhor fez um trabalho de campo antes de começar a campanha?
Picasso – Por uma questão até de perfil profissional, no primeiro fim de semana que eu vim para Santa Cruz do Sul, fui visitar todos os bairros para saber o que tínhamos de forte e fraco. Porque em pouco mais de três anos não dá para fazer tudo o que se gostaria. Caso as pessoas dissessem alguma coisa boa ou ruim de algum local, eu saberia. Isso é muito importante. Mas a cidade já não era estranha pra mim. Desde 1996, venho visitando o município, para encontrar amigos que moram aqui. Nos programas de rádio e TV conseguimos passar esse sentimento do dia a dia da cidade, que conseguimos porque ouvimos mais do que falamos.

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