A polêmica desencadeada esta semana após viralizar na internet o controverso cartaz de uma campanha interna de prevenção à aids realizada pela empresa Mercur, que recomendava os funcionários a não ter relações sexuais com moradores de Santa Cruz do Sul, deixou no ar uma dúvida: a incidência do HIV no município deve ser motivo de alarme?
Dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde mostram que, em 2013, ano da última atualização, o volume proporcional de novos registros de soropositivos em Santa Cruz foi ligeiramente superior à média do Rio Grande do Sul. Enquanto Santa Cruz registrou uma taxa de 32,9 casos por 100 mil habitantes, no Estado o índice foi de 32,2. Ainda assim, em 55 municípios a incidência foi maior. Farroupilha, por exemplo, registrou uma taxa de 148,8, a maior dentre as localidades gaúchas, enquanto a capital Porto Alegre apresentou taxa superior a 90,0. Na região, três municípios, Pantano Grande, Arroio do Tigre e Sobradinho, também tiveram taxas maiores que a de Santa Cruz.
O levantamento leva em consideração as situações contabilizadas junto ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), base de dados do Ministério de Saúde. Os casos são divididos conforme o município de residência dos portadores. De 2010 para cá, houve 242 novas confirmações no município. Entre 2013 e 2014, porém, houve um aumento significativo, de 41 para 58 casos – enquanto, em todo o Rio Grande do Sul, os casos caíram de 3,5 mil para 2,9 mil. Apenas em 2015, já são 17 novos portadores.
Segundo a coordenadora do Centro Municipal de Atendimento à Sorologia (Cemas), Daiana Raddatz, a situação da doença em Santa Cruz não foge à realidade do Rio Grande do Sul, Estado que tem a maior incidência do País. “A epidemia é crescente, sim, mas evolui como nos demais municípios. Santa Cruz vem se mantendo dentro da média”, assegurou.
Conforme ela, o fato de Santa Cruz possuir uma incidência superior a de outros municípios da região (Vera Cruz e Encruzilhada do Sul, por exemplo, têm taxas inferiores a 10 casos por 100 mil habitantes) se deve à alta rotatividade populacional da cidade, efeito de seu perfil econômico industrial e de sua condição de polo universitário, dentre outros. Já o aumento no número de casos, ela atribui à expansão do acesso à testagem. “Até 2012, a testagem só era feita no Cemas. Hoje, está implantada em todas as ESFs e na maioria das unidades básicas de saúde. E o teste é feito em 20 minutos. Além disso, antes eram contabilizados apenas os casos de aids, enquanto hoje são notificadas todas as situações de HIV”, alegou.
Apesar disso, segundo Daiana, o governo mantém diversas ações com o objetivo de controlar o avanço da enfermidade, incluindo trabalhos preventivos junto à rede escolar e cinco campanhas permanentes ao longo do ano – no Carnaval, Dia da Mulher, Dia dos Namorados, Oktoberfest e Dia Mundial de Combate à Aids (1º de dezembro).

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