No dia 23 de março de 1910, em Tóquio, nascia Akira Kurosawa. Filho do diretor de um instituto de educação física do exército, sua família era descendente de um antigo clã samurai. A informação é curiosa, já que Kurosawa viria a se tornar uma referência na sétima arte justamente pela maneira como retratou os guerreiros japoneses, que trajavam armaduras e ostentavam suas katanas, na telona.
A empreitada do cineasta iniciou-se em 1936, aos 25 anos, em um estúdio que anos depois se tornaria o Toho, um dos mais importantes do audiovisual, com um aprendiz. Naquele mesmo ano, já atuou em quatro filmes como assistente de direção. Aos poucos foi conquistando espaço até que, em 1943, dirigiu A Saga do Judô, marcando não só uma nova fase para o cineasta, mas o começo de promissoras parcerias com os atores Takashi Shimura e Susumu Fujita, que retornariam em alguns dos seus maiores clássicos.
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Era o início de uma icônica carreira no cinema. Ao longo de cinco décadas, Kurosawa dirigiu 33 filmes, muitos deles marcando a sétima arte pela maneira como filmava e desenvolvia os personagens e a narrativa.
A partir de Cão Danado (1949) e Rashomon (1950), suas obras saíram das ilhas que formam o país do Sol Nascente e chegaram ao mundo, influenciando grandes cineastas globais, como Federico Fellini, Werner Herzog e Bernardo Bertolucci. Guerra nas Estrelas não mudaria a cultura popular se George Lucas não tivesse assistido a A Fortaleza Escondida (1958) e Yojimbo (1961). Até Stanley Kubrick, de 2001: Uma Odisseia no Espaço, manifestou o amor pelo diretor nipônico, afirmando que, caso ficasse preso em uma ilha deserta, levaria três dos mais clássicos de Kurosawa, incluindo Trono Manchado de Sangue (1957). Seu trabalho ainda revolucionou o faroeste, com diretores que refilmaram alguns dos seus maiores clássicos de samurai.
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Enquanto na sua terra natal não tinha notoriedade, Kurosawa recebeu o reconhecimento devido internacionalmente. Em 1990 recebeu um Oscar honorário, entregue por George Lucas e Steven Spielberg. O diretor de Tubarão e Indiana Jones uma vez o chamou de “o Shakespeare dos tempos atuais”.
Kurosawa morreu em 6 de setembro de 1998, em Tóquio. Mas seu legado jamais será esquecido. A verdade é que o diretor nipônico mudou para sempre o cinema, criando estilo único. A sua assinatura é inconfundível, tal como um quadro dos renomados artistas da renascença. Um dia, Kurosawa afirmou que um filme é “apenas um filme”. Ele não poderia estar mais enganado.
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Os filmes essenciais
Rashomon (1950) – Ao narrar o assassinato de um samurai e o estupro de sua esposa sob três pontos de vista diferentes, Kurosawa revolucionou a arte de fazer cinema. O crime é contado a um plebeu por um monge budista e um lenhador, cada um com versões diferentes e complexas, deixando o espectador intrigado e ansioso para saber a verdade.

Viver (1952) – Protagonizado por seu parceiro Takashi Shimura, uma lenda no cinema japonês, Kurosawa faz uma emocionante celebração da vida ao retratar um burocrata de Tóquio que dedicou sua vida ao trabalho. Diagnosticado com câncer no estômago, ele tem um ano para tornar seus últimos dias na Terra significativos. Uma prova de que o talento do diretor vai muito além das batalhas e duelos de espada, evidenciando seu lado mais humano e contemplativo.

Os Sete Samurais (1954) – A obra não se tornou a mais famosa do diretor à toa. A história de sete guerreiros errantes que decidem ajudar uma vila atacada por saqueadores foi reverenciada (e copiada) diversas vezes, década após década, tendo sido refilmada nos Estados Unidos duas vezes como um faroeste. Além das excelentes atuações de Shimura e Toshiro Mifune, tem excelentes cenas de ação que atraíram os olhares do ocidente para a cultura samurai.
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Ran (1985) – A definição de épico. Inspirado na tragédia teatral Rei Lear, de Shakespeare, Ran é provavelmente o filme mais ambicioso do diretor. As cenas de batalha são tão grandiosas quanto as de Coração Valente ou Gladiador. Kurosawa transforma a violência dos conflitos em pinturas vivas e belíssimas, com cores vibrantes que tornam tudo mais deslumbrante. Um filme indispensável para os entusiastas de épicos históricos.

Sonhos (1990) – Obrigatória para os amantes das artes plásticas, a obra reúne oito curtas-metragens inspirados em sonhos de Kurosawa que evidenciam a cultura japonesa. O cineasta presenteia o espectador com uma atmosfera poética e um dos visuais mais marcantes da história do cinema. Ao criar uma narrativa totalmente intimista, focada especialmente nas crenças que aprendeu ainda na infância, o diretor cria um dos seus trabalhos mais marcantes, com cenas que não vão sair da sua mente.

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