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ENTREVISTA

Andréa Brächer fala sobre trabalhos destacados em duas exposições simultâneas

Com exposições em Santa Cruz do Sul desde a semana passada, o trabalho da artista visual e pesquisadora gaúcha Andréa Brächer pode ser conferido em dois locais. A Casa das Artes Regina Simonis recebe até 3 de novembro a mostra Ficções de um Jardim: Fotografia e Literatura, com curadoria de Niura Legramante Ribeiro. Já a Galeria Jaque Pizzatto Art&Decor apresenta a nova série, com desdobramentos da original, chamada Jardins dos Sonhos Azuis, com curadoria de Letícia Lau, até dia 23 deste mês.

A exposição Ficções de um Jardim possui 30 obras, algumas produzidas a partir da técnica conhecida como desenho fotogênico, e esteve anteriormente no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Segundo Andréa, desde 2019 havia o desejo de trazer a exposição para o interior do Estado, atingindo os públicos fora da Capital. A artista de 52 anos é natural de Porto Alegre, onde reside atualmente e é docente desde 2011 no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Além de ter concluído PhD em Poéticas Visuais em 2009, a pesquisadora é especializada na área de Processos Fotográficos Históricos e Alternativos, que conjuga práticas híbridas digitais, e recentemente incorporou objetos tridimensionais, vídeo e novas tecnologias aos seus trabalhos.

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As peças fotográficas de Andréa refletem sobre o universo onírico, de fabulações e invenções, reunindo as imagens das fadas com a natureza e incluindo elementos como seres da floresta. No doutorado, ela desenvolveu uma produção voltada para o universo infantil, através da leitura de contos de fadas e de horror, assim como da história da fotografia. Todos esses elementos podem ser percebidos nas suas exposições que estão em Santa Cruz, assim como suas referências de poesia e histórias infantis. A maioria das peças da exposição principal não estão à venda, mas as da mostra Jardins dos Sonhos Azuis podem ser adquiridas na Galeria Jaque Pizzatto.

Atualmente, além de manter a itinerância das exposições já concluídas, Andréa Brächer dedica-se a um novo trabalho iniciado em 2021. “O projeto a que venho me dedicando no momento é com imagens de arquivos de família. Meu pai e meus avós vieram da Alemanha em 1922, e a exposição e o livro serão sobre essas memórias de família”, frisa.

O projeto ainda não tem nome, mas parte dele pode ser conferida online no site Mulheres Luz, com o título provisório de Archive. As obras incluem fotos de família, cartões-postais, cartas e uma coleção de fotografias dos séculos 19 e 20 compradas em antiquários e leilões, e abordam as narrativas dos imigrantes e de seu legado.

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Entrevista

Andréa Brächer
Artista visual, professora e pesquisadora

Magazine – Da sua referência à história das crianças que fotografavam fadas e utilizando processos históricos, qual é o resultado do seu trabalho em relação a suas inspirações?

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Andréa – No meu trabalho, já há alguns anos, venho me inspirando no século 19, com seus artistas e inventores, e também me interesso e me inspiro na própria história da fotografia. A fada foi muito representada por pintores, ilustradores e até em músicas. A maneira de realizar a ilusão do aparecimento das fadas em meus trabalhos veio da história verídica das duas meninas inglesas Frances Griffiths (1908-1986) e Elsie Wright (1901-1988). Elas haviam fotografado fadas em um jardim em duas séries, em 1917 e outra em 1920. Por muito tempo, as meninas sustentaram essa história e suas imagens foram tidas como verdadeiras por investigações técnicas que não detectaram vestígios de fraude. Essa falsa crença em sua veracidade perdurou no imaginário de quem as viu. Somente antes de morrer, uma das meninas declarou, por meio de uma carta e de desenhos, a operação de encenação de montagem das fadas no jardim. E, como elas, eu faço montagens e fotografo ou faço montagens em laboratório fotográfico.

Magazine – Como surgiu o seu interesse por processos fotográficos históricos e alternativos?

Andréa – Surgiu por volta dos anos 2000, quando começo a pesquisar de forma autodidata as técnicas de antotipia, cianotipia e marrom Van Dyke. Após entrar no doutorado, em 2005, fiz cursos em Londres, na Central Saint Martins da University of the Arts London, e também nos Estados Unidos, em Montana, no Photographers Formulary (2006). E desde 2016 tenho um grupo de estudos chamado Lumen, na Ufrgs, que coordeno, onde pesquisamos processos históricos e alternativos.

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Magazine – A senhora poderia explicar como funcionam as técnicas utilizadas nas obras da exposição?

Andréa – São processos em que se pode usar uma imagem digital, que será transferida a um negativo/positivo que servirá de suporte para a imagem a ser copiada. Nesses processos, eu uso papel de aquarela para fazer minhas cópias, que são emulsionadas a mão com as técnicas photogenic drawing, marrom Van Dyke e cianótipos. As cópias apresentam cores diversas, conforme a química utilizada, mas eu trabalho com o monocromático.

Mostra da Setorial na Estação Férrea

Paralelamente às exibições na Casa das Artes e na galeria Jaque Pizzatto, acontece também a 1ª Mostra da Setorial de Artes Visuais de Santa Cruz do Sul (SAV). A exposição ocorre no Centro de Cultura Jornalista Francisco José Frantz, antiga Estação Férrea, e reúne obras de 36 artistas locais. Além da visitação de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12 horas, e das 13h30 às 17 horas, o espaço estará aberto também aos fins de semana, das 10 às 17 horas, sem fechar ao meio-dia, com a presença de alguns dos artistas integrantes da mostra. Pelo menos 25 obras estão à venda, com preços a partir de R$ 250,00.

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