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Após impasses na negociação, SindiTabaco afirma que empresas cumprem a lei

O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, concedeu entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9 nessa terça-feira, 26, e reconheceu o momento difícil pelo qual passa a cadeia produtiva. A entidade, segundo ele, acompanha com atenção e preocupação a pauta e disse tratar de um tema relevante.

A manifestação do dirigente ocorre o dia após um ato de fumicultores do Estado em Santa Cruz do Sul. Na ocasião, os produtores saíram às ruas na segunda-feira, 25, pela manhã, para protestar contra os preços praticados pela indústria na comercialização do tabaco e a redução na valorização da qualidade do produto. O ato foi organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS).

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Thesing foi enfático ao afirmar que a classificação do tabaco na propriedade, conforme prevê a lei estadual 15.958/2023, apresentada pelo deputado Zé Nunes (PT), é impossível de ser praticada com as condições que são oferecidas. “As empresas cumprem a legislação, isso é fato. Hoje elas têm que ir na casa do produtor e se deparar com uma pilha de tabaco ou um galpão entulhado com pouca luminosidade e tem que fazer a classificação do tabaco. É impossível fazer.”

Conforme o presidente do SindiTabaco, os classificadores, ao chegarem nas propriedades, observam o produto e estabelecem uma média, que depois vai para a indústria responsável pela classificação. “Como a empresa se comprometeu com essa média, quando o produto chega, ela faz a classificação dentro das tabelas e faz com que essa média feche. Agora nós temos alertado e estamos discutindo dentro do Foniagro a ruptura que essa lei criou para o Rio Grande do Sul”, pontua.

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Ele cita o exemplo do Paraná, onde o mesmo projeto de lei foi apresentado aos deputados estaduais. “Lá fizeram uma ampla discussão, de um ano inteiro, envolvendo todas as partes, até chegarem à conclusão que esse tipo de lei levaria prejuízo a toda a cadeia produtiva”, explica Thesing, acrescentando que o Paraná é o estado que mais cresce em produção e número de produtores nos últimos anos.

“A mesma discussão ocorreu em Santa Catarina, com todas as partes envolvidas. Eles fizeram uma regulamentação da lei, dando a liberdade ao produtor para ele definir se quer a comercialização na casa dele ou na indústria. E se ele quiser na residência dele, terá que cumprir com uma série de exigências para que a empresa possa fazer a classificação”, pontua.

O dirigente não contraria os produtores na reivindicação de melhores preços. Diz que o sindicato, por conta da lei em vigor, não se envolve nas negociações. Valmor afirma, no entanto, que o momento global é diferente do vivido nos últimos três anos, em que o mercado, com a escassez do produto, elevou os preços.

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Ele explica que entre 2023 e 2025 houve uma queda de produção a nível global, o que gerou uma forte pressão de demanda no mundo todo. “Naturalmente, como ocorre em qualquer outra cultura, ela elevou os preços acima das tabelas que são negociadas dentro da Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadec). E nós entendemos o produtor hoje, que vem com esse histórico de três safras extremamente positivas e agora os preços voltam aos níveis históricos. Por uma questão de reequilíbrio entre oferta e procura a nível global, pois principalmente os países africanos e asiáticos aumentaram muito a produção.”

Em relação ao cenário mundial, o presidente do SindiTabaco vê com preocupação o atual momento e não descarta para dentro de dois ou até três anos a perda da liderança do Brasil no mercado exportador de tabaco. O maior concorrente brasileiro é o Zimbábue, que projeta chegar, com o apoio do governo, a uma produtividade superior a 500 mil toneladas ano, em até dois anos. Segundo Thesing, o tabaco está perdendo competitividade no mercado mundial.

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