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Alexandre Garcia

As vias tortas

Doria desistiu, mas não resolveu o enigma tucano. O PSDB continua em cima do muro, agora balançando entre Simone Tebet e Eduardo Leite. Adiou a decisão para a próxima semana. Ficar com Leite escancara o golpe contra Doria, o vencedor da prévia do partido; ir para Tebet mostra a carência de nomes tucanos, ao adotar a candidata do MDB.

Nessa segunda-feira, 23, Doria chegou ao encontro com os correligionários já decidido, de discurso pronto. Lançou uma frase a ser lapidada: “Me retiro da disputa com o coração ferido mas com a alma leve”. O choro, depois, nos braços da esposa, Bia, fez lembrar a Pietà – e pareceu tão sincero quanto o recolhimento com as mãos postas, em oração. E ainda fez uma frase de marketing, projetando seus 2%: “Agradeço aos 6 milhões de brasileiros que manifestaram a intenção de votar em meu nome”. Doria sendo Doria. PSDB sendo PSDB.

O episódio faz parte de um problema mais amplo: a ausência de nomes conhecidos e populares em grandes partidos. O MDB e o Cidadania se reúnem para apontar candidato e perguntar não ofende: será que vão mesmo convergir para Simone Tebet? A senadora, ex-prefeita de Três Lagoas (MS), se tornou conhecida na patética CPI da Covid, mas não muito. Além das divisas do estado dela, vai ser difícil conquistar eleitores. No próprio MDB há divergências. Como já se viu num jantar em Brasília entre senadores do MDB e Lula, a preferência do partido no Nordeste é pelo ex-presidente. De Minas para o Sul, as preferências são aderir a Bolsonaro. O Cidadania vai a reboque e o União Brasil já caiu fora, com o candidato autoescolhido: o presidente do partido, Luciano Bivar, outro quase desconhecido.

Nem o PT está seguro. As trocas de comunicadores e marqueteiros mostram isso. E até há petista sonhando com Ciro Gomes, que teria menos rejeição que Lula, cujo passado o condena. Mas Ciro está convicto de que é alternativa a Lula. Faz críticas a Lula e parece esquecer Bolsonaro. O presidente, por sua vez, está aceitando todos os convites para eventos e levando os ministros para apresentar pelo Brasil resultados de obras todas as semanas. As multidões que atrai são água fria sobre as pesquisas.

Uma via de meia-volta foi vista na Justiça. A corte foi unânime em recusar ação do ex-presidente do PT Rui Falcão e de Fernando Haddad, para obrigar o presidente da Câmara a despachar pedidos de impeachment do partido. E agora Alexandre de Moraes volta atrás e revoga a liminar que proibia o presidente da Câmara de convocar eleição para substituir os membros da Mesa Diretora, inclusive o vice Marcelo Ramos, ferrenho crítico de Bolsonaro. Lira já convocou eleição para esta quarta-feira, 25. Parece que o Supremo deu uma relida no segundo artigo da Constituição, sobre poderes independentes e harmônicos.

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