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Assédio moral: práticas abusivas persistem e colocam em risco a saúde dos trabalhadores

Situações ocorridas nos ambientes corporativos exigem atenção tanto entre os empregadores quanto os empregados | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O 2 de maio é marcado pelo Dia Nacional de Combate ao Assédio Moral no Trabalho. Criada em 2019, a iniciativa tem como objetivo reconhecer os abusos enfrentados pelos trabalhadores nos ambientes profissionais.

Dados da Justiça do Trabalho evidenciam a relevância da data: entre 2020 e 2024, cerca de 460 mil novas ações relacionadas a pedidos de indenização por dano moral foram abertas por assédio moral no trabalho. O balanço, publicado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), demonstrou ainda um aumento de 28% entre 2023 e 2024, subindo de 91 mil para 117 mil ocorrências.

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As consequências às empresas não se limitam a ações judiciais. Patrícia de Souza Fagundes, psicóloga do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Regional (Cerest Vales), ressalta que os abusos resultam em impactos no ambiente de trabalho, como queda de motivação e da produtividade, além do aumento da rotatividade e o afastamento por saúde, o que traz prejuízos econômicos. 

“Apesar de o assédio ser usado como uma forma de fazer com que as pessoas produzam mais, os ambientes hostis podem fazer com que elas percam a motivação rapidamente, o que pode refletir na sua produtividade”, diz.

Diante dos números e das consequências, fica evidente a necessidade de empresas e trabalhadores prevenirem e denunciarem os casos de assédio moral. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a violência e o assédio são definidos como um conjunto de comportamentos e práticas inaceitáveis ou ameaças, que impactam diferentes áreas da vida da pessoa.

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Alta

117 mil ocorrências por assédio no ambiente de trabalho foram registradas entre 2023 e 2024 no Brasil, uma alta de 28%

A importância de ficar atento aos sinais

A psicóloga do Cerest Vales afirma que os abusos podem acontecer de maneira individual, interpessoal ou coletiva, chamada de assédio organizacional. Na primeira, é comum o trabalhador ser exposto, de maneira repetitiva, a situações de desrespeito ou de desqualificação. O uso de termos pejorativos também pode ser frequente. Outro ponto de destaque são as metas inatingíveis, que levam as pessoas a ultrapassar os limites para dar conta das demandas. 

Nos casos organizacionais, as ações são direcionadas a um grupo de pessoas ou a toda a empresa, sendo utilizadas para o gerenciamento dos funcionários e do trabalho. Segundo Patrícia, é comum que os dois tipos aconteçam no mesmo ambiente e de maneira frequente. “É importante saber diferenciar se é uma situação de assédio interpessoal ou organizacional, saber que as duas formas existem e que estão muito próximas”, observa.

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Patrícia chama a atenção ainda para situações em setores da produção, incluindo, por exemplo, ambientes da indústria onde há um controle excessivo, limitando as interações e até o uso do banheiro em determinados momentos, sem considerar as condições físicas individuais. “Há pessoas que passam a ter problemas de saúde justamente por não poder usar o banheiro com tanta frequência”, salienta a profissional.

Refletir sobre o trabalho ajuda a identificar abuso

Uma vez que o assédio moral pode ocorrer de maneira mais sutil, a psicóloga, com especialização em saúde do trabalhador, explica que nem sempre a vítima consegue identificar o que está acontecendo. Comumente são colegas, amigos e familiares que percebem alguma mudança no comportamento. 
“É importante que o trabalhador possa fazer frequentemente uma reflexão de como ele se sente em relação ao trabalho e se tem observado alguma mudança no padrão de sono, de alimentação e de comportamento”, reitera Patrícia.

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A profissional do Cerest Vales destaca também a relevância de as pessoas observarem manifestações de sofrimento, que podem ser dores de cabeça ou no estômago, além de fadiga ou cansaço extremo. “É necessário pensar, permanentemente, como é que está se sentindo no trabalho.”

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Patrícia sugere que se busque auxílio de pessoas próximas para saber se elas observam algum comportamento diferente. Recomenda registrar, seja em um caderno ou no próprio celular, as situações que ocorreram, incluindo a data, o que aconteceu ou foi dito.

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Questionar se algo está ocorrendo de maneira pontual, individual ou coletiva e quais as consequências também é fundamental. “É importante que o trabalhador comece a perceber que está sendo desrespeitado no trabalho e passe a ficar em alerta.”

Respeito é fundamental em todos os momentos

Para prevenir o assédio moral, individual ou coletivo no ambiente profissional e preservar a saúde dos trabalhadores, a psicóloga do Cerest Vales ressalta que as empresas e seus representantes precisam assumir a responsabilidade social em relação aos empregados, evitando o adoecimento, afastamento ou pedidos de demissão. “Precisamos discutir como o assédio se estabeleceu e pensar em outras formas mais saudáveis no ambiente de trabalho”, ressalta Patrícia.

Em relação às lideranças, a profissional enfatiza a importância do respeito e da empatia, buscando estabelecer metas e exigir resultados sem ultrapassar os limites ou ferir a dignidade dos funcionários. “Não podemos confundir a hierarquia e a autoridade com autoritarismo, quando a atitude de uma liderança passa a ser desrespeitosa”, frisa.

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Na avaliação da especialista em saúde do trabalho, para avançar no tema é necessário estabelecer uma cultura organizacional saudável, que estimule a solidariedade entre as pessoas e reconheça e valorize as potencialidades de cada um dos trabalhadores, respeitando as necessidades de cada um no meio corporativo. “É preciso ficar muito claro que o assédio não é permitido e que sejam previstas punições”, afirma. 

O que deve ser observado

Identifique o assédio

  • Críticas injustas ou exageradas
  • Exposições desnecessárias
  • Atribuir tarefas humilhantes
  • Chacotas, gestos de desprezo
  • Prazos inadequados às exigências das tarefas
  • Atribuição de tarefas além ou aquém da capacidade do trabalhador
  • Retirar autonomia
  • Não fornecer as informações necessárias para realização do trabalho
  • Zombar de alguma deficiência e/ou dificuldade
  • Criticar a vida privada
  • Ameaças de violência física e/ou pequenas agressões.

Consequências à saúde

  • Sintomas depressivos e/ou ansiosos
  • Irritabilidade
  • Dores generalizadas
  • Alterações no sono (insônia, pesadelos e outros)
  • Palpitações, tremores
  • Dores de cabeça
  • Distúrbios digestivos
  • Alterações da pressão arterial
  • Sentimentos de culpa
  • Uso e/ou abuso de álcool e outras drogas
  • Pensamentos de morte ou suicídio
  • Afastamento do trabalho por adoecimento

O que fazer?

  • Tomar nota dos detalhes
  • Buscar apoio (profissionais de saúde, amigos e familiares)
  • Procurar o sindicato
  • Buscar ajuda dos colegas
  • Recorrer aos órgãos competentes (Ministério Público do Trabalho, Superintendência Regional do Trabalho, Cerest)

Estratégias coletivas

  • Criação de espaço de discussão sobre o trabalho
  • Ações educativas
  • Vigilâncias aos ambientes e processos de trabalho
  • Fortalecimento de relações solidárias no trabalho
  • Criação de canais de comunicação e de denúncia dos casos

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