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Caminhoneiros planejam parar no dia 1º de novembro em protesto pelo preço do diesel

Foto: Iuri Fardin

Movimento de 1º de novembro deve ser semelhante às paralisações já realizadas

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em transmissão ao vivo por uma rede social na quinta-feira, que 750 mil caminhoneiros autônomos receberão R$ 400,00 mensais em razão da alta do preço do diesel. O valor é o mesmo para os beneficiários do programa social Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família.

Ainda na quinta-feira, a tabela de valores mínimos de frete usada pelos caminhoneiros foi alterada, com reajustes médios que variam de 4,54% a 5,90%, a depender do tipo de veículo e da classe de carga. Os novos patamares foram decididos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e publicados no Diário Oficial da União. Pela legislação, sempre que a oscilação no preço do óleo diesel no mercado nacional for superior a 10%, o órgão precisa publicar nova norma com pisos mínimos, considerando essa variação do combustível.

Diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, Carlos Alberto Litti Dahmer disse em entrevista à Rádio Gazeta que o reajuste da tabela do frete deveria ter ocorrido há duas semanas, quando a oscilação de 10% havia sido superada. “As pressões vieram e somente no dia 19 tivemos o anúncio do reajuste. O governo está cumprindo o que é determinação legal”, comentou. Sobre o auxílio, Dahmer afirmou que trata-se de um desconhecimento sobre a categoria. “Foi recebido como uma grande piada, um descaso. O caminhoneiro autônomo quer dignidade, com o preço justo do combustível, diferente do que é praticado pela Petrobras. A categoria não quer esmola”, afirmou.

Para Dahmer, as duas tentativas do governo foram frustradas. Por isso, as manifestações para o dia 1º de novembro estão mantidas. “Queremos uma melhor gestão da Petrobras, para uma política de preços mais justa. Um auxílio de 83 litros de diesel não é a solução. Não podemos ficar dependentes do mercado internacional. É uma questão a ser discutida por toda a sociedade”, explicou.

Dahmer esclarece que as manifestações do dia 7 de setembro foram meramente políticas. Agora, segundo ele, será a paralisação de uma categoria. “É um movimento pela sobrevivência do transportador autônomo de cargas, o elo mais frágil do setor. Não há reivindicação política. Não é para derrubar o governo, tirar ministros do STF ou para fechar o Congresso. Somente com a solidez da democracia conseguimos fazer reformas e melhorias”, apontou.

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Deputado faz interlocução

O deputado federal Nereu Crispim (PSL-RS), presidente da Frente Parlamentar Mista do Caminhoneiro Autônomo e Celetista, também falou à Rádio Gazeta. Ele relembrou que, na campanha, Jair Bolsonaro havia prometido atender às reivindicações da categoria, de forma objetiva. Ao longo de dois anos, muitas reuniões e audiências públicas foram realizadas com representantes do setor. A última delas ocorreu no dia 18 de setembro, com cerca de 60 líderes de 22 Estados.

Depois do encontro, as solicitações dos caminhoneiros foram confirmadas no último dia 16, no Rio de Janeiro. Contudo, o principal ponto de insatisfação levantado foi a política de preços da Petrobras. Para Crispim, o sistema da estatal beneficia o lobby dos importadores, investidores da Bolsa de Valores e os bancos. “A categoria não busca assistencialismo. A necessidade é um fundo soberano para estabilidade dos preços, a partir da taxação do petróleo bruto exportado”, considerou.

Crispim é contrário à paralisação pelos transtornos provocados, mas entende o direito dos trabalhadores em reivindicar melhores condições. “Muitos estão vendendo casa e automóvel, para pagar as contas e manter a família. Tem motorista rodando 400 mil quilômetros com os mesmos pneus. O custo de manutenção é alto, até pelas péssimas condições das rodovias”, comentou. A frente parlamentar enviou ofícios ao Executivo com as opiniões e sugestões dos líderes da categoria.

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