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CONVERSA SENTADA

Carta de um unistaldense

Permisso Dr.

Aqui me apresento, sem delongas. Quem vos fala é um admirador seu. Ao acessar seu Blog do Ruy Gessinger, fiquei sentido, porque ficou tanto tempo sem nos brindar com seus excelentes textos.
Perdão, paisano. Por ser meio Santiaguense/Unistaldense sou franco demais.

Creio que lá no Vale do Rio Pardo a conduta deve ser essa também. O senhor deve estar pensando o seguinte: na madrugada um desconhecido escreveu pra mim. Sabe, Seu Ruy (parece que até conheço “o home” pessoalmente). Tenho muito gosto pela internet, mas a leitura ainda me faz folhear um livro. Na minha apresentação ao senhor, prometi que não me alongaria. Mas como fica, doutor: é “Gosto do Rio Maravilha”, ou “Unistalda Maravilha?

Em 1982 eu, com nove anos de idade, cheguei no povo (cidade). Meu Pai, homem dos arreios, que com uns cobres que arrumou na labuta campeira, já pensava em não esporear mais a vida. Em 1985, meu velho comprou uma chácara ali pras bandas de Unistalda. Saiu daqui da cidade de Santiago, cruzou a Vila Manoel de Freitas, bem naquela placa que diz Itacurubi.

Caso o Doutor Ruy não saiba bem o local, pergunte pro seu Lélo. Pois bem, naquele tempo eu tinha doze anos. Soa até hoje na minha audição, “o guri passou de ano?”. Sim, respondia a minha mãe, já com o boletim na mão.

Uffaaaa… agora faço o que eu quero. Disse meu pai: “Amanhã cedito larguêmo pra fora. Bota tuas coisas na camionete! Guri de férias na cidade é só pra pensar bobagem”. Entrávamos na estrada do Itacurubi, na esquina do seu Lélo, à esquerda tinha a Fazenda do seu Jorge Camargo, mais adiante o seu Fernando Saraiva.

Naquela época aqui quase não se falava na Estância do Gessinger. Dois dias na chácara e o piá já era outro. De chapéu na cabeça, com palavreado da campanha, sempre disposto para um ajutório na vizinhança. De vez em quando se perdendo pelos matos. Aquele lugar é pra lembrar sempre. Ali meu pai me ensinou muita coisa.

Ali ele morreu curando o terneiro de uma vaca braba. As testemunhas principais do fato foram dois cachorros ovelheiros e uma égua rosilha que caminhava solita com os arreios e ao mesmo tempo que segurava na cincha uma zebua caborteira.

Escusas pelo atrevimento. Também tive a liberdade de formular frases que não existem no nosso vocabulário. Aceite como liberdade poética. Pelo simples fato de acompanhar seus relatos, fiquei animado de falar um pouco daquele chão.

Abraços. João Batista Machado Soares. (carta no idioma unistaldês)
***
Um abraço meu para a querida Moina Mary, que gosta desse tipo de escritos.

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