Com a chegada do verão e a oscilação das temperaturas nas últimas semanas, o aparecimento de insetos em maior quantidade tem chamado a atenção da população. Em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9, o biólogo e especialista em Entomologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Andreas Koehler, explicou que esse fenômeno está diretamente ligado ao ciclo biológico dos animais, que se desenvolvem melhor em períodos de temperaturas elevadas. “Nesta época do ano nós temos um alto número de insetos, em indivíduos às vezes desconhecidos que aparecem nas nossas casas, na cidade ou em campo, justamente por causa do ciclo biológico deles”, afirmou.
O especialista detalhou que o calor aliado à umidade favorece ainda mais a proliferação. “O clima contribui muito para esta parte da proliferação e do desenvolvimento”, pontuou, citando como exemplo o mosquito, que se multiplica rapidamente em locais com água parada, e outras espécies com ciclos mais longos, que acabam surgindo de forma inesperada nas residências. “Esta época do ano, por suas características do clima, da temperatura e da umidade, é quando se vê muito mais insetos do que o normal.”
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Koehler também destacou que algumas espécies aparecem em grande quantidade porque se adaptaram ao ambiente urbano. “Não é que nós temos uma cidade mais suja, é uma espécie que se adaptou”, comentou ao falar sobre baratas e outros insetos comuns nas cidades. Segundo ele, o mesmo ocorre com besouros e outros animais atraídos por plantas e alimentos disponíveis nas áreas urbanas, o que explica concentrações maiores em determinados locais.
Em relação aos mosquitos e borrachudos, comuns no verão, o biólogo esclareceu que há diferenças importantes entre eles. “O borrachudo, a larva dele, vive em água em movimento, precisa de um córrego ou rio. Já o mosquito precisa de água parada, qualquer prato, garrafa ou lugar onde consiga se desenvolver”. Por isso, os mosquitos são mais frequentes dentro das cidades, enquanto os borrachudos aparecem mais em áreas próximas a cursos d’água, embora possam voar longas distâncias.
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Sobre prevenção, Koehler reforçou que evitar água parada é a principal medida contra mosquitos e recomendou o uso de repelentes. “Eles funcionam evitando que os mosquitos cheguem até a nossa pele, atrapalham pelo cheiro”, disse, lembrando que é importante reaplicar os produtos com frequência. Ele também diferenciou repelentes de inseticidas, destacando que os primeiros apenas afastam, enquanto os segundos “são venenos que realmente matam o inseto”.
Ao comentar sobre insetos e outros animais menos comuns, como aranhas, escorpiões e lagartas, o biólogo ressaltou que todos têm função no ecossistema e não devem ser mortos sem necessidade. “Quando aparece um inseto diferente, não é automaticamente que vai dar um problema”, frisou. A orientação é evitar o contato, manter a calma e, se possível, registrar uma foto. “Faça uma foto e mostre para todo mundo como beleza. Não precisa matar. Essa é a última das opções, só quando realmente se sabe que tem um perigo para as pessoas.”
Ouça entrevista na íntegra:
*Colaboraram John Kaercher e Vanessa Beling
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