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PREVENÇÃO

Como funciona o trabalho de combate à dengue em Santa Cruz

Foto: Iuri Fardin

Aumento no quadro de agentes de endemias é uma das medidas tomadas para forçar o recuo no número de casos da doença

Quando se fala em combater a dengue, o primeiro pensamento que ocorre à maioria das pessoas é não deixar água parada, sobretudo durante o verão, para evitar a formação de criatórios do mosquito. Essa compreensão está correta, mas os cuidados necessários vão muito além, assim como as ações realizadas pelos órgãos municipais. A Gazeta do Sul teve a oportunidade de acompanhar ontem o trabalho da Vigilância Sanitária de Santa Cruz do Sul para identificar e combater os focos do Aedes aegypti no município.

Com o objetivo de orientar a atuação dos agentes de campo e também basear decisões como locais de realização de mutirões e aplicação de inseticida e fumacê, a Vigilância Sanitária criou e está alimentando um banco de dados. Quando os agentes encontram em suas vistorias um criatório de larvas que possivelmente são do mosquito da dengue, informações como endereço, tipo de imóvel (terreno baldio, casa, edifício ou ponto comercial) e local onde estava a larva (piscina, ralo, vaso de planta, entulho, entre outros) são lançadas no sistema.

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Para transformar as letras e números em imagem, o sistema de georreferenciamento é utilizado para gerar mapas. Neles, é possível visualizar onde está cada um dos casos suspeitos e confirmados e onde a larva foi encontrada. “A população às vezes pensa que o controle da dengue é uma coisa aleatória, mas não é. Tudo é muito científico, baseado em dados e mapas”, ressalta a coordenadora de Vigilância e Ações em Saúde, Francine Braga.

O controle também é feito por meio das consultas em postos de saúde. Francine explica que o teste para confirmar o diagnóstico da doença só pode ser feito seis dias após o início dos sintomas. Assim, muitas pessoas não retornam para fazer a coleta porque já estão recuperadas. Quando isso ocorre, a confirmação é feita mediante critérios clínico-epidemiológicos que levam em conta a quantidade de focos e outros casos suspeitos e confirmados na região. Por isso, a recomendação é para que ninguém deixe de cumprir as orientações recebidas durante os atendimentos.

Para ampliar a presença e agilizar as vistorias nos locais de maior necessidade, a Vigilância Sanitária iniciou uma integração com a rede de atenção básica. O objetivo é que cada posto de saúde receba um agente de endemias para atuar dentro da área correspondente à unidade. Com base nos mapas gerados a partir do banco de dados, os agentes conseguem atuar com mais precisão para eliminar os focos e também acompanhar os pacientes confirmados ou suspeitos. Além disso, os dados permitem identificar quais tipos de reservatórios são mais comuns em cada área da cidade.

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Apoio da população é fundamental para ações

Conforme já afirmou diversas vezes a secretária municipal de Saúde, Daniela Dumke, por mais que o poder público intensifique as ações para frear o avanço da dengue, o sucesso só será alcançado com o apoio da população. A orientação principal é uma velha conhecida de todos: não deixar água parada sem vedação em nenhum ponto da residência. Qualquer reservatório é suficiente para que a fêmea ponha seus ovos, desde copos plásticos, folhas e cascas de ovo até o pote de água dos animais domésticos.

Uma única fêmea pode colocar até 500 ovos durante seu ciclo de vida, que dura cerca de 30 dias. O Aedes aegypti demora aproximadamente dez dias desde a eclosão do ovo até a fase adulta, quando se torna capaz de transmitir a dengue, o zika vírus e a chikungunya. Francine salienta que, além da criação do banco de dados e o aumento no quadro de agentes de endemias, a Vigilância Sanitária adquiriu novos equipamentos e insumos para aplicação de inseticida e fumacê. Antes, o Município dependia do maquinário cedido pelo governo do Estado, que possui apenas oito para atender todo o Rio Grande do Sul.

Essas aplicações, porém, ainda precisam ser autorizadas pelo Estado com base nos dados epidemiológicos e também dependem das condições climáticas. Não é possível fazer, por exemplo, em dias de chuva, cerração ou vento forte. Para ser eficiente, o produto precisa atingir os mosquitos durante o voo, por isso deve ser empregado nos locais onde há maior concentração de focos, como é o caso dos bairros Bom Jesus, Bonfim e Progresso atualmente.

Os resultados dessas ações podem ser vistos nos números de contágio. Entre 1º de janeiro e 10 de maio, Santa Cruz do Sul registrou 424 casos positivos, 528 negativos e outros 1.138 estão aguardando o resultado do teste encaminhado ao Laboratório Central do Estado (Lacen/RS). Nenhuma pessoa morreu por complicações da dengue. No mesmo período do ano passado eram 3.997 positivos, 701 negativos, 228 aguardando resultado e cinco óbitos.

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Fiscalização

Fundamental para o combate à dengue, o trabalho dos agentes de endemias muitas vezes é dificultado ou impedido por algumas pessoas. Nesse caso, conforme a lei 13.301/2016, a entrada nas residências pode ser forçada com o auxílio dos órgãos de segurança. Ao verificarem a existência de um foco do mosquito, o proprietário recebe uma notificação e é orientado sobre as medidas que deve tomar. Se em uma próxima vistoria outro foco for identificado, aplica-se a multa de uma Unidade Padrão Municipal (UPM), que corresponde a R$ 375,51. O valor é dobrado a cada reincidência.

A coordenadora de Vigilância e Ações em Saúde frisa que o objetivo não é penalizar, mas sim conscientizar a população sobre a importância de cada um fazer a sua parte. Desde o início do ano cerca de 350 notificações já foram emitidas, e a expectativa é de que outras 150 ocorram nos próximos dias. Esses números demonstram a quantidade de focos existentes e a importância das ações para evitar a proliferação do Aedes aegypti.

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