A Copa do Mundo ainda não começou, mas já tem muita seleção sendo formada por aí. Embora os jogadores não estejam nos gramados oficiais, em turmas de amigos e nas famílias eles têm sido presença diária. Entre um craque e outro, os colecionadores do Álbum da Copa Mundo 2026 têm vivido as emoções do maior campeonato de futebol do planeta com aquela adrenalina que só quem é aficionado conhece.
Em tempos de telas e redes sociais, a prática reúne gerações e mantém viva uma tradição forjada ao longo de sucessivas competições. Nessa hora, não tem telinha que dê conta: é só mesmo o bom e velho papel, palpável, físico, que cativa. Graças a ele, jovens vibram com novos ídolos, enquanto veteranos relembram feitos de edições anteriores. Exemplo disso são as memoráveis figurinhas distribuídas junto a gomas de mascar (chicle).
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No campo de papel, também atuam jogadores, elaborando as melhores estratégias de trocas, tentando driblar custos e fazer bonito antes mesmo que os hinos nacionais comecem a tocar nos gramados. Emoção, adrenalina, empolgação: é como se fosse uma prévia daquilo que está por vir. Ah, e saudosismo, claro. Em 2026, o álbum vai estampar pela última vez uma geração de ouro, cuja despedida deve ocorrer nessa temporada. É o último mundial com as estrelas Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Neymar Jr. reunidas em campo.
O grito no peito, no entanto, ainda vai precisar ser contido. Enquanto o dia da abertura oficial, 11 de junho, não chega, a pedida é entrar no clima, seja com o álbum, seja nas rodas de conversa ou na ajuda para encontrar a figurinha que falta, ou no espírito de coletividade. Como dizem… coisas que só o futebol (ou o esporte) explica.
Quando jogadores caros nascem em casa
Em 2014, eles recém ensaiavam os primeiros passos e as primeiras palavras. Em 2018, já começavam a sentir o clima. Mas foi somente em 2022 e agora, neste ano, que os gêmeos Vinícius e Rafaela, de 13 anos, entraram para o time do pai César Augusto Machado, 50, na busca pelo álbum completo. Junto, o trio segue criando estratégias, torcendo pela figurinha inédita e marcando aquele golaço quando o assunto é aproveitar o momento para curtir cada segundo em família.
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A paixão que César tem por coleções já é conhecida na comunidade, inclusive entre os leitores da Gazeta do Sul. Agora, são os filhos que experimentam a mesma sensação. “Eles nasceram em 2013. Logo em 2014 houve a Copa no Brasil. Então comprei o álbum e comecei a colecionar, com a intenção de que eles pudessem dar continuidade nas próximas”, afirma o colecionador, recordando ainda as competições de 1982 e de 1986, nas quais montou álbuns.
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Os planos que o pai fez, 12 anos atrás, se concretizaram. “Na última copa, em 2022, já foi muito legal. Íamos fazer trocas, comprar figurinhas, um momento nosso. Inclusive, naquela vez o Vinícius tirou a Legend do Neymar Gold. Hoje, ela vale cerca de R$ 10 mil”, diz. Longe das telas, com planilha em papel para controle, o trio transforma o momento de colecionar em coisa de família.
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Missão cumprida
A pouco menos de um mês do início da Copa do Mundo, Arthur Lopes Wendt, de 16 anos, está com o álbum completo. “Falta colar muitas figurinhas ainda, mas estão todas aqui”, comemora o morador do Bairro Jardim Europa. Para adquirir as unidades, o estudante contou com a ajuda dos pais, que marcaram presença em grupos de trocas organizados pela cidade.

“Coleciono os álbuns desde 2018. Gosto da correria para acabar o mais rápido possível. Troquei muitas na escola e no shopping. Foi uma experiência gratificante”, descreve o aficionado. Para completar a missão, Arthur estima não ter investido muito acima do valor mínimo previsto, pois conseguiu vender muitas figurinhas.
Experiência emocional coletiva

Há quem acredite que colecionar álbuns possa ser algo muito simplório. Pelo campo da psicologia, no entanto, a prática pode reservar múltiplos benefícios. Segundo a psicóloga Gisele Maria Severo, em tempos nos quais a onipresença das telas parece atravessar os encontros familiares, colecionar o álbum da Copa do Mundo ressurge como um ritual afetivo capaz de reunir diferentes gerações em torno de uma experiência simples, mas profundamente significativa.
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De acordo com a profissional, a psicologia compreende esses momentos como espaços de construção de vínculo emocional, pertencimento e memória afetiva. “Sentar-se à mesa para abrir pacotinhos, procurar jogadores específicos e organizar as figurinhas desperta emoções compartilhadas, estimula a conversa e fortalece a conexão”, define. Ela ainda complementa: “Mais do que completar páginas, completa-se um espaço de convivência e de presença genuína”.
Mais benefícios
A seguir, confira mais benefícios que a prática pode trazer, segundo a psicóloga Gisele Severo.
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- A espera pelas figurinhas, a ansiedade em encontrar aquela “raríssima” e a alegria das pequenas conquistas trabalham aspectos importantes do desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.
- A psicologia aponta que o exercício da espera ajuda na tolerância à frustração, na construção da paciência e no reconhecimento do valor simbólico das conquistas graduais.
- O ato de colar as figurinhas manualmente favorece experiências sensoriais e cognitivas importantes, estimulando organização, atenção, memória e coordenação motora, enquanto cria lembranças que permanecem emocionalmente registradas por muitos anos.
- A troca de figurinhas é considerada outro aspecto valioso, que vai muito além do simples comércio infantil. Esses encontros promovem socialização, negociação, comunicação e cooperação.
- Ao participar de todo o processo, crianças aprendem sobre partilha, empatia e convivência coletiva, enquanto adolescentes encontram um espaço saudável de interação fora do universo virtual.
No clima das grandes torcidas
Pela cidade, basta estar atento para perceber a presença do álbum da Copa do Mundo: seja nas lojas especializadas, que vendem o livro ilustrado e as figurinhas, ou nos estabelecimentos que perceberam novas oportunidades envolvendo o tema.
No Shopping Santa Cruz, por exemplo, embora as publicações na rede social indiquem um dia oficial para as trocas, nas segundas-feiras à tarde, a administração afirma que elas ocorrem praticamente no decorrer de todos os dias da semana.

Além disso, entre grupos de WhatsApp e diferentes locais, nas instituições de ensino, equipes diretivas e professores têm tentado encontrar a melhor maneira de lidar com a situação. Enquanto em alguns optou-se por não permitir as atividades de trocas, nos ambientes internos, em outras foram elaboradas programações especiais.
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No Colégio Mauá, o grêmio estudantil tem proporcionado oportunidades especiais para os colecionadores. “Também é um momento interessante de estudo, cultura e conhecimento, porque são 48 países que estarão na Copa do Mundo. Tudo isso é busca de informações”, acredita o diretor Nestor Raschen.
Missão cumprida

Ainda não garantiu o seu álbum? Numa parceria com a Panini, a Gazeta vai distribuir 1.800 unidades entre assinantes em dia com os pagamentos, a partir deste sábado, 30. No dia, os exemplares podem ser retirados na Casa de Clientes, das 8 horas às 12 horas. Já de segunda a sexta-feira, o horário é das 8 horas às 11h45 e das 13h30 às 18 horas. O brinde também é válido para novos assinantes. A distribuição é limitada e ocorrerá por ordem de chegada.
Para a história

O álbum oficial da Copa do Mundo da FIFA 2026™, lançado pela Panini, é considerado a maior coleção já produzida para o torneio. No Brasil, a distribuição ao varejo conta com a Vitrola Editora e Distribuidora como uma de suas principais parceiras. O material reúne 980 cromos, 68 deles em papel metalizado, distribuídos em 112 páginas que contemplam as 48 seleções participantes do torneio. Cada envelope conta com sete figurinhas, comercializado a R$ 7,00. Já o álbum avulso custa R$ 24,90.
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