Fora de pauta 07/06/2020 16h50

Pandemia e meio ambiente

Se o coronavírus é grave, o que dizer de algo muito, mas muito pior, que é o aquecimento global, por exemplo?

Nessa sexta-feira, de diferentes maneiras, lembramos a passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente. É curioso pensar como estamos tratando a preservação da natureza em um tempo tão focado no coronavírus e nas suas muitas consequências. Tanto que falar nisso neste momento soa como gastar tempo em um assunto aparentemente menos importante. Pelo contrário. O surgimento da Covid-19 pode levar a uma reflexão até maior sobre isso.

Se pensarmos bem, embora muito grave, a atual crise sanitária tem prazo para terminar. Mesmo que não se saiba até onde ela vai, é certo que em algum momento será passado. Talvez no próximo ano, por essa época, nossa conversa seja sobre o período em que tivemos que tomar precauções como nos afastarmos socialmente e usar máscaras em todos os lugares. Provavelmente, estaremos até um pouco chocados com o que passamos.

Outro aspecto que será objeto de nossas reflexões é o quanto essa situação de hoje nos dividiu. Não só no Brasil. Pelo mundo também se viu muita divergência no enfrentamento do problema – discussões nem sempre bem fundamentadas alimentadas por teorias as mais diversas. Certamente, fruto da pressão do momento, do peso da pandemia nos empregos e na renda, do medo do futuro. O que evidenciou algo que sempre soubemos, mas que de vez em quando esquecemos: somos ruins em encarar problemas graves e trabalhar juntos para resolvê-los. E estamos falando de algo que, como referi, vai acabar em alguns meses. Como será quando a dificuldade for muito mais grave? Vamos simplesmente sucumbir enquanto não nos entendemos?

Por isso a referência ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Se o coronavírus é grave, o que dizer de algo muito, mas muito pior, que é o aquecimento global, por exemplo? Se hoje nossa geração enfrenta uma pandemia, as próximas podem ter pela frente “apenas” o fim da vida na Terra. Não há grau de comparação. As pessoas que estão nascendo agora, ou mesmo que têm pouca idade, que se encontram no início da vida, podem, em algumas décadas, estarem na iminência de presenciar o desaparecimento do mundo como conhecemos – sem água, sem comida, quase sem ar de qualidade para respirar… O abismo para todas as formas de vida, não só as humanas. Nós do presente não existiremos mais, seremos quando muito lembranças, mas o que será desses futuros adultos? Existe alguma chance de, até lá, termos líderes capazes de aglutinar o mundo em torno da busca por soluções para tão terrível situação? Ou serão pessoas do mesmo nível destas de hoje no Brasil e fora dele? Penso que só há motivos para pessimismo.

Enquanto não se encontra respostas a essas perguntas, façamos o que está ao nosso alcance. Por exemplo, acompanhar sites como o nacoesunidas.org, que oferece muita informação sobre a gama de atividades desta organização, especialmente na área ambiental, por meio do Programa das Nações Unidos para o Meio Ambiente (PNUMA). Uma fonte confiável, muito distante dos endereços na internet que difundem fake news. Por ali, pode-se entender a interdependência que existe entre a saúde humana e a saúde do planeta e, em consonância com os tempos atuais, como construir um mundo melhor após a pandemia. Como diz a representante do PNUMA no Brasil, Denise Hamú, “nem sempre tomamos consciência, mas do alimento que consumimos até a água que bebemos e o ar que respiramos – e, inclusive, muitos medicamentos que salvam vidas –, todos são providos pela natureza. Quando perdemos a biodiversidade, perdemos esses serviços dos quais dependemos para existir”.

Portanto, este pode ser sim um bom momento para falar de preservação do ambiente.