A CPI do Futebol ouviu nesta quinta-feira, 3, o jornalista escocês Andrew Jennings, da BBC de Londres. E foi categórico ao afirmar que o esquema de corrupção presente no futebol mundial nasceu no Brasil. “Começou na década de 70, quando João Havelange se elegeu presidente da Fifa. Joseph Blatter foi seu principal assessor e deu continuidade ao modus operandi”, atacou.
Jennings é autor dos livros que serviram de base para as investigações do FBI, que levaram este ano diversos dirigentes do futebol mundial à prisão, entre eles o ex-presidente da CBF, Jose Maria Marin. Em seu depoimento, o jornalista afirmou que a Polícia Federal e o Ministério Público brasileiro deveriam estar mais envolvidos em investigar a corrupção no futebol. Ele defendeu também que essas instituições colaborassem com as polícias suíça e norte-americana.
“Essa pode ser a caixa de Pandora que pode mudar o futebol aqui e na América do Sul”, disse. O jornalista ressaltou que a má gestão do futebol prejudica a sociedade em diversos aspectos, inclusive socioeconômicos. Para ele, é “absurdo” por exemplo, o fato da Seleção Brasileira quase nunca disputar partidas em nosso território, com a exceção dos jogos eliminatórios para a Copa do Mundo.
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“É preciso investigar a razão disso aí. Sua seleção se apresenta no mundo todo e quase nunca por aqui. Por que isso?”, questionou. Jennings defendeu que as investigações também devem se dar sobre os contratos de transmissão e marketing desses jogos, assim como dos aviões e hotéis que são utilizados como estrutura no deslocamento do time. Ele ainda sugere um olhar minucioso sobre os contratos ligados à organização da Copa do Mundo no ano passado.