Entre aventureiros experientes e curiosos, as trilhas em meio à natureza conquistam fãs pelo mundo afora. De veteranos a iniciantes, o fato é que qualquer incursão pelas matas requer cuidados básicos e muito planejamento prévio. O assunto vem à tona após caso ocorrido no início do mês, quando Roberto Farias se perdeu no Pico do Paraná, considerado o maior do Sul do Brasil, com 1.877 metros de altitude.

No Vale do Rio Pardo, entre as opções destaca-se o Morro do Botucaraí, em Candelária, o mais alto isolado do Estado, com 569,63 metros de altitude (em relação ao nível do mar). Segundo um especialista em salvamento terrestre, Fábio Cristiano Lopes, capitão do 6° Batalhão de Bombeiro Militar, no local há alguns anos já foi necessária intervenção dos militares para resgate de visitantes que se perderam em meio à mata. Para evitar incidentes, ele acredita ser fundamental conhecer as peculiaridades e os riscos do destino, bem como as rotas de acesso e de saída, antes de dar início à caminhada.
“Além disso, a capacidade técnica e física e o fator psicológico precisam ser levados em conta antes de se iniciar qualquer trilha.” Lopes recomenda cuidados básicos: sempre avisar alguém sobre o passeio, indicando o tempo estimado; estar em companhia de outra pessoa; levar alimento, água e apito para emissão de sinais sonoros, se necessário; demarcar o caminho, facilitando o retorno ou até mesmo as buscas; e fazer uso de toda tecnologia disponível, como aplicativos específicos e GPS, para planejar a aventura com antecedência.
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Se mesmo assim o trilheiro se perder, o capitão orienta: “Ao perceber que está perdido, pare! Não busque acessos secundários e, se possível, vá até um ponto elevado ou clareira próximos. Isso pode facilitar a localização por meio dos drones com visão térmica.”
Gabriela foi duas vezes ao Pico do Paraná
Ela começou em 2020 e não parou mais. Natural de Santa Cruz do Sul, Gabriela Kalana dos Santos Kipper, de 32 anos, coleciona destinos. E quando sai para alguma trilha, segue exatamente os cuidados listados por Michel Anton e pelo capitão Fábio Lopes nesta reportagem. Esse cuidado, porém, também é uma resposta à experiência adquirida ao longo dos anos.
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“Já peguei chuva à noite, subindo uma montanha para ver o nascer do sol junto com um grupo. Na época, era inexperiente e não estava preparada. Passei muito frio, não tinha luvas. Doía muito onde encostava devido às baixas temperaturas. A lanterna também descarregou e não tinha extra”, conta a arquiteta, que começou fazendo trilhas em praias de Santa Catarina e cachoeiras perto de Santa Cruz.
Há um ano e meio residindo em Florianópolis, hoje ela encara desafios maiores, como as montanhas do Paraná e do Rio de Janeiro. A mais difícil, segundo ela, foi no Pico das Agulhas Negras. Com 2.791 metros de altitude, no Parque Nacional do Itatiaia, no Rio, o percurso apresenta trechos de escalada e rapel.
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Já no Pico do Paraná, na Serra do Mar, ela subiu duas vezes. “É trilha bem puxada, com subidas e descidas, raízes. É perigosa e não recomendada para iniciantes, mas tem visuais lindos. É uma montanha que desafia o físico e mental”.
“Tomo sempre os seguintes cuidados: avisar um parente para onde vou, com quem vou, quando volto e passar algum contato de quem vai junto. Estudar o trajeto da trilha antes de ir e usar sempre um GPS para trilhas, ter um carregador portátil, água suficiente para todo o trajeto, corta-vento, lanterna, lanches, remédios que eu achar necessário, protetor solar, repelente…
Gabriela Kalana dos Santos Kipper
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Arquiteta
Consciência deve estar em primeiro lugar numa trilha
Somente até o topo do Morro do Botucaraí, em Candelária, foram 23 vezes no decorrer dos cerca de dez anos realizando passeios de aventura. Mas para Michel Anton, que percorre trilhas na região e em demais localidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, e ainda conta com uma empresa voltada ao turismo de aventura, a experiência não é sinônimo de negligência. Muito pelo contrário.

Com cursos profissionalizantes e treinamentos de primeiros socorros no currículo, entre os percursos mais difíceis realizados pelo santa-cruzense está a Travessia do Cânion Palanquinhos, em Caxias do Sul. “É uma trilha de quatro quilômetros que a gente demora cerca de sete horas para fazer.” É justamente por essas vivências que ele entende a importância de manter os cuidados necessários.
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“Até hoje, nunca aconteceu algum caso de alguém se perder ou ficar para trás. Quando as trilhas são longas, sempre andamos com mais de um guia. Um vai na frente e o outro no final, acompanhando quem tem um ritmo mais lento.”
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Nos meses de março e junho deste ano, por exemplo, ele deve levar grupos à trilha do Cânion Churriado, em Praia Grande, no mês de março, e ao Soldados Sebold, em Alfredo Wagner, em junho. “Ambas as trilhas, em Santa Catarina, exigem experiência e vão contar com guias locais e credenciados.”
Dicas para não passar perrengue
Confira mais algumas recomendações do empresário Michel Anton.
- Ter um mínimo de preparo físico é essencial, porque todas as trilhas vão exigir algum tipo de esforço em determinado momento.
- É importante saber para onde você está indo, buscar informações sobre a trilha e acompanhar a previsão do tempo.
- Uma roupa adequada ajuda muito, como calçados ou até roupas específicas.
- Buscar conhecer os riscos da trilha, o tipo de terreno, a fauna e a flora que irá encontrar.
- Sempre avisar familiares, conhecidos ou amigos sobre a atividade.
- Nunca realizar trilhas sozinho.
- Na mochila, levar lanches, água, repelente, protetor solar e itens de higiene pessoal.
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