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ECONOMIA

Decisão sobre tarifas dos EUA deixa indústria em alerta

Trump aumentou de 10% para 15% as tarifas globais que vão valer por 150 dias. Medida pode interferir nas exportações | Foto: Ascom Portos RS/Divulgação

O setor industrial monitora e avalia o futuro das exportações para os Estados Unidos diante do vai e volta entre o presidente Donald Trump e a Suprema Corte norte-americana em relação às tarifas sobre os produtos importados. Após o judiciário derrubar a medida do governo federal na sexta-feira, Trump anunciou no mesmo dia uma tarifa global de 10%. 

Já no sábado, o presidente norte-americano afirmou que aumentará para 15% por 150 dias. De acordo com Trump, o governo trabalhará em novas tarifas “legalmente admissíveis”.

“Como presidente dos Estados Unidos da América, irei, com efeito imediato, aumentar a tarifa mundial de 10% sobre países, muitos dos quais têm ‘roubado’ os EUA durante décadas, sem retaliação (até eu chegar!), para o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%”, afirmou na rede Truth Social.

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Em nota, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) reiterou que mantém atenção permanente aos desdobramentos do tema para o comércio internacional. Segundo a entidade, o mercado norte-americano representa em torno de 9% dos embarques de tabaco. No entanto, em 2025, devido ao cenário controverso, as exportações reduziram 22%.

“Aguardamos, com expectativa, um desfecho que permita a retomada das exportações de tabaco ao mercado norte-americano dentro de sua série histórica”, diz o comunicado.

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Na avaliação do SindiTabaco, as medidas tarifárias dessa natureza afetam contratos, planejamento industrial e a renda de milhares de produtores. E desde o anúncio das sobretaxas, o sindicato manifestou preocupação com os impactos diretos sobre a competitividade do tabaco brasileiro no mercado norte-americano, um destino relevante para as exportações do setor. 

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A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) avaliou que a decisão da Suprema Corte norte-americana de derrubar as tarifas de Trump requer atenção. Conforme a entidade, nos seis meses de imposição da medida, as exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos totalizaram US$ 583,6 milhões. Contudo, o montante é US$ 347,7 milhões inferior ao registrado nos seis meses equivalentes de 2025, resultando em uma queda de 37,3%.

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Claudio Bier, presidente do Sistema Fiergs, reiterou que, desde a aplicação dessas tarifas, a indústria gaúcha tem sido uma das mais afetadas e continua “amargando perdas significativas em sua competitividade e no acesso ao mercado dos EUA”.

“Brasil não perde”, afirma Alckmin

O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, avaliou que a decisão da Suprema Corte americana foi positiva para o Brasil. “Como a alíquota agora é igual para todo mundo, nós não perdemos competitividade”, avaliou.

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A queda das tarifas de Donald Trump traz duas vantagens para o País, segundo Alckmin. Para ele, além de acabar com as alíquotas mais altas ao Brasil em relação a outros países, alguns itens brasileiros tiveram seus impostos zerados. Alckmin citou setores como o de combustível, carne, café, suco de laranja, celulose e aeronáutica.

No setor de aeronaves e peças, Alckmin destacou que a alíquota que era de 10% caiu a zero. Nesse tipo de indústria, o comércio exterior é fundamental, destacou. A competitividade dos produtos brasileiros vai aumentar, na visão do vice-presidente. “Algumas indústrias, se não exportarem, não sobrevivem. Se você olha Embraer, não tem como ter uma fábrica de avião para vender só para o mercado interno”, disse. Ele enfatizou ainda que a tarifa média praticada pelo Brasil a produtos americanos é de 2,7%.

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Relembre

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, na sexta-feira, as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. Por seis votos a três, o tribunal ratificou a decisão de uma instância inferior que apontou excesso de autoridade do republicano. No entendimento da Corte, a interpretação do governo acerca da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) violaria a “doutrina das questões importantes”. O princípio exige que ações do Executivo de vasta relevância econômica e política tenham autorização clara do Congresso. Tal justificativa foi utilizada para barrar medidas do ex-presidente Joe Biden. 

O presidente da Suprema Corte, John Roberts, destacou em seu voto que Trump não pode instituir tributos unilateralmente. “Ele deve apontar uma autorização clara do Congresso para justificar sua afirmação extraordinária de poder”, escreveu. 

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A decisão coloca em xeque mais de US$ 133 bilhões já arrecadados pelo Tesouro americano. Embora o veredito não determine o estorno automático, empresas já buscam reembolsos judicialmente. Em voto dissidente, o juiz Brett Kavanaugh alertou que a devolução dos valores pode se tornar uma “bagunça”. Projeções do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estimam que o impacto econômico das tarifas alcançaria US$ 3 trilhões na próxima década. O julgamento representa a primeira grande derrota da agenda econômica de Trump no tribunal.

Momento de cautela

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que acompanha com “atenção e cautela” os desdobramentos relacionados à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas por Trump. De acordo com a entidade, a suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40% que haviam sido impostas pelo governo trumpista a produtos brasileiros provocaria um impacto de US$ 21,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos, segundo levantamento feito a partir dos dados de 2024 do United States International Trade Comission (USITC).

“O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, escreveu o presidente da CNI, Ricardo Alban, na nota.

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