Aos 46 anos, Denise Lopes descobriu um hobby que mudaria sua rotina, sua forma de tomar decisões e até a maneira como conduz o próprio trabalho. Há pouco mais de um ano, ela começou a correr de kart. O que era apenas incentivo ao filho adolescente, acabou se transformando em uma paixão intensa, que hoje divide espaço com a liderança de uma empresa de cuidados para idosos, construída ao longo de mais de uma década em Santa Cruz do Sul.
O início nas pistas veio quase por acaso. O filho, Arthur, havia se encantado pelo esporte durante uma viagem ao litoral, e passou a procurar lugares para correr no Rio Grande do Sul. O que começou como um programa entre mãe e filho logo virou algo maior. “Ele ligou para as gurias e me colocou numa bateria feminina. Fui correr e ganhei troféu. Pensei: ‘esse mundo é meu agora’”, lembra.
A primeira corrida foi em dezembro de 2024. Desde então, a rotina passou a incluir treinos semanais, preparação física e participação em campeonatos no Kartódromo Internacional Techspeed Velopark, em Nova Santa Rita, um dos principais kartódromos do Estado. Hoje, Denise disputa provas com mulheres mais jovens e também corre em categorias mais avançadas, algumas ao lado do próprio filho. “Hoje, sou uma das mais velhas que corre nas baterias femininas, mas disputo com meninas de 18 anos. A idade não é o fator que prejudica.”
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O envolvimento com o kart rapidamente deixou de ser apenas lazer. Com histórico de lesão medular e prótese cervical, Denise precisou intensificar o preparo físico para conseguir competir. “Tive uma lesão medular, tenho parafuso e prótese cervical. Então, para mim, correr é superação total. Meu treino físico é todo voltado para o kart.”
O esforço deu resultado. Recentemente, ela venceu duas etapas de um campeonato estadual, realizado no Velopark, algo que considerava um sonho. “Meu sonho era ter um troféu da CKA, que pontua para os nacionais. Teve duas corridas e venci as duas. Foi muito lindo.” No entanto, para Denise, o que acontece dentro da pista não fica só ali. A experiência no kart passou a influenciar diretamente a forma como conduz a vida profissional.
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Liderança construída na prática
Natural de Santiago, Denise mora há 23 anos em Santa Cruz do Sul. Formada na área da saúde, trabalhou por muitos anos no Hospital Santa Cruz (HSC), atuou em serviços públicos e também participou da estruturação de equipes na iniciativa privada. Há 13 anos, decidiu abrir a própria empresa, voltada ao cuidado de idosos, hoje consolidada e com equipe fixa. “Trabalho desde os 16 anos e, hoje, lidero uma equipe com 14 funcionários. Cuidamos de cerca de 25 idosos. É uma responsabilidade muito grande, são vidas.”
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Foi justamente nessa rotina intensa que o kart apareceu como uma válvula de escape. E, com o tempo, também se tornou um aprendizado. “O kart é muito mental. Você tem que saber a hora de avançar, a hora de frear, a hora de esperar. Hoje, levo isso para o meu trabalho.”
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Denise também divide o esporte com o filho, o que tornou a experiência ainda mais intensa. Arthur, hoje com 16 anos, já disputa categorias mais avançadas. Em algumas corridas, os dois chegam a correr na mesma bateria. “Quando estou correndo, penso em mim. Mas, quando fico fora da pista olhando ele, meu Deus… O coração vem na boca.”
A convivência nas pistas também trouxe novas amizades e referências. Denise participa de um grupo feminino de pilotos, as Racing Girls, onde encontra apoio e incentivo para continuar evoluindo. “O kart ensina muito a apoiar quem está começando. É competitivo, mas nos ajudamos.”
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Recomeçar depois dos 40
Se hoje Denise fala com naturalidade sobre troféus, campeonatos e treinos, ela admite que demorou a olhar para si mesma. O hobby surgiu em um momento de mudanças pessoais, depois de anos dedicados ao trabalho, à família e aos outros. “Descobri meu primeiro hobby aos 45 anos. A vida toda me doei para os outros. E a Denise, onde estava?”
O reencontro consigo mesma veio aos poucos, junto com decisões difíceis e novos caminhos. “Nunca é tarde para se reencontrar. Comecei algo novo com 45 anos e isso mudou muita coisa.” Hoje, ela faz questão de repetir esse conselho para outras mulheres. “Precisamos ter uma válvula de escape, algo que faça bem. Não precisa ser kart. Pode ser esporte, pode ser qualquer coisa. Nunca é tarde para recomeçar.”
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