Dúvidas sobre a aprovação de medidas fiscais necessárias para evitar que o Brasil tenha sua nota de crédito cortada por agências internacionais de classificação de risco e a preocupação com a crise global fizeram o dólar romper nesta terça-feira, 22, a barreira dos R$ 4, atingindo seu maior valor histórico.
No final da sessão, a sinalização de que o Congresso deverá manter para esta noite a votação da chamada “pauta bomba”, sem derrubar vetos presidenciais a medidas que preveem o aumento dos gastos públicos, amenizou um pouco a alta do dólar e a queda da Bolsa brasileira, que chegou a perder 2,82% durante o dia.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou com valorização de R$ 1,58%, para R$ 4,054 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançou 1,80%, também para R$ 4,054. É o maior valor histórico de ambas as cotações. Na máxima dessa terça-feira, o dólar à vista chegou a atingir R$ 4,063, e o dólar comercial, R$ 4,068.
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É preciso considerar, no entanto, que o cenário econômico entre 1994, quando o Plano Real foi criado, e 2015 mudou drasticamente. O valor de R$ 4 naquela época, por exemplo, hoje valeria cerca de R$ 12,75, após correção inflacionária.
No mercado de ações, o principal índice da BM&FBovespa fechou no vermelho. O Ibovespa recuou 0,70%, para 46264 pontos. Por causa de uma falha no cálculo dos índices no Segmento Bovespa, a atualização e divulgação dos indicadores ficou paralisada entre 10h30 e 12h30. A situação foi normalizada no início da tarde.
“Há uma percepção negativa em torno do crescimento global, o que tem afetado os preços das commodities e, consequentemente, os mercados mundiais. Por isso, as principais Bolsas no exterior fecharam o dia no vermelho, colaborando para a perda do Ibovespa e a valorização do dólar”, disse Rogério Oliveira, especialista em Bolsa da Icap.
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Também contribuiu para o movimento a expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos ainda em 2015, o que retiraria investimentos de países emergentes, como o Brasil. Assim, entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, 23 desvalorizaram-se em relação ao dólar. O dólar de Hong Kong se manteve estável frente a moeda norte-americana.