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Economia

Dólar recua pelo segundo dia com juro dos EUA e cenário político no radar

O dólar fechou esta quarta-feira, 2, em queda, mesmo após declarações da presidente do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), Janet Yellen, terem reforçado apostas de elevação dos juros naquele país ainda este mês. A expectativa, porém, é de que o aumento seja lento e gradual, o que reduz a pressão sobre o câmbio. Após ter subido até 0,42%, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, encerrou o dia com desvalorização de 0,40%, para R$ 3,845 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, cedeu 0,54%, para R$ 3,835. Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, o dólar caiu apenas sobre seis.

O Congresso Nacional voltou a se reunir nesta quarta-feira para tentar votar a mudança da meta de resultado primário de 2015, autorizando o governo a fechar o ano com deficit de até R$ 119,9 bilhões. A sessão foi cancelada na véspera por falta de quórum. Até o fechamento do mercado ainda não havia resultado.

Os investidores também repercutiram a decisão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que voltou a adiar nesta quarta a reunião do colegiado que poderia decidir dar ou não andamento ao processo que pede a cassação do mandato do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Uma nova reunião foi marcada para a próxima terça-feira, 8.

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Ainda no âmbito político brasileiro, o relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Teori Zavascki, autorizou a abertura de dois inquéritos para investigar suposto envolvimento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), dos senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Jáder Barbalho (PMDB-PA), além do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) com o esquema de corrupção da Petrobras.

Juro americano

Em discurso sem surpresas, a presidente do Fed afirmou nesta tarde que o crescimento do emprego nos EUA até outubro indica um mercado de trabalho em recuperação, mas não ainda com força total. Ela não indicou se espera que a alta dos juros seja justificável na última reunião do Fed no ano, em 15 e 16 de dezembro, embora esta continue sendo a aposta da maior parte do mercado.

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O Livro Bege do Fed, divulgado na tarde desta quarta (2), enfatizou que a atividade econômica dos EUA continuou a expandir em ritmo modesto na maioria das regiões analisadas pela autoridade monetária americana entre o início de outubro e meados de novembro.

As sinalizações sobre o futuro dos juros americanos têm sido acompanhadas de perto pelos investidores, uma vez que a alta da taxa provocaria fuga de recursos aplicados em países emergentes para os EUA, encarecendo o dólar.
Isso porque a mudança deixaria os títulos do Tesouro americano, cuja remuneração reflete a taxa de juros, mais atraentes que aplicações em mercados emergentes, considerados de maior risco.

O Banco Central do Brasil deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos que estão previstos para o mês que vem. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 546,9 milhões.

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No mercado de juros futuros, os principais contratos acompanharam a queda do dólar e fecharam majoritariamente em baixa na BM&FBovespa. O DI para janeiro de 2016 subiu de 14,150% para 14,155%. Já o contrato para janeiro de 2021 apontou taxa de 15,680%, ante 15,800% na sessão anterior.

Bolsa sobe

O principal índice da Bolsa brasileira fechou esta quarta-feira em queda, acompanhando o mau humor nos mercados acionários europeus e americanos. O Ibovespa recuou 0,29%, para 44.914 pontos. É a menor pontuação desde 29 de setembro, quando estava em 44.131 pontos. O volume financeiro foi de R$ 7,6 bilhões -acima da média diária do ano, de R$ 6,8 bilhões, segundo dados da BM&FBovespa.

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A queda dos bancos, setor com maior peso dentro do Ibovespa, ajudou a derrubar o índice na sessão. O Itaú teve baixa de 3,18%, para R$ 27,10, enquanto o Bradesco recuou 0,14%, para R$ 20,97. Na contramão, o Banco do Brasil subiu 0,80%, a R$ 16,42.

Os papéis da mineradora Vale fecharam em alta, depois de terem registrado na véspera seu menor valor em mais de dez anos. Os preferenciais, mais negociados e sem direito a voto, subiram 0,19%, a R$ 10,39 cada um, enquanto os ordinários, com direito a voto, avançaram 0,78%, para R$ 12,94.

A Petrobras viu sua ação preferencial ganhar 0,40%, para R$ 7,52. Os papéis ordinários da estatal tiveram alta de 2,49%, para R$ 9,47 cada um.

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Ações do BTG

Fora do Ibovespa, a Bolsa suspendeu as negociações com as units (conjunto de ações) do banco BTG Pactual até 14h30 (de Brasília). Os papéis voltaram a ser negociados após a companhia ter prestado novos esclarecimentos sobre a mudança no controle acionário da instituição financeira, anunciada pouco antes da abertura do mercado nesta sessão, e fecharam em queda de 1,48%, para R$ 20 cada um.

Desde a última quarta-feira, quando o ex-presidente da companhia, André Esteves, foi preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal, as units do BTG já caíram 35,3%. As ações da rede de drogarias Brasil Pharma, cujo maior acionista é o BTG Pactual, tiveram desvalorização de 3,90%, para R$ 14,79 cada uma.

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