O Brasil voltou a fazer história na maior premiação da indústria cinematográfica. O Agente Secreto foi indicado a quatro categorias da 98º edição do Oscar. O anúncio ocorreu nessa quinta-feira, 22, realizado pelos atores Danielle Brooks e Lewis Pullman.
Pela segunda vez – e pelo segundo ano consecutivo – um longa-metragem nacional concorre à estatueta de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional.
Já Wagner Moura fez história ao ser o primeiro brasileiro indicado ao prêmio de Melhor Ator. Ele estará disputando o troféu com Timothée Chalamet (Marty Supreme), Ethan Hawke (Blue Moon), Michael B. Jordan (Pecadores) e Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra).
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A obra também foi indicada à categoria inédita Melhor Direção de Elenco. A última vez que um longa-metragem brasileiro foi relacionado em quatro categorias foi em 2003, quando Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, disputou em Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Fotografia. Entretanto, não venceu nenhum prêmio.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho agradeceu ao público brasileiro pelo apoio; ao trabalho de divulgação da Neon, responsável pela distribuição no mercado norte-americano, e à Vitrine Filmes, que transformou a obra em um “arrasa-quarteirão”. “Passamos de um milhão e meio de espectadores, o que é absolutamente incrível”, ressaltou.
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Mendonça Filho também mencionou que o filme chega ao Oscar um ano depois de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que rendeu ao Brasil a primeira premiação, de Melhor Filme Internacional. Conforme o cineasta, O Agente Secreto é fruto das políticas públicas. “Políticas públicas são uma maneira inteligente, está na nossa Constituição, de você investir na identidade do próprio país. E o Brasil é um dos países que utiliza de maneira inteligente o investimento público em produtos culturais do Brasil”, afirmou.
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O responsável pela direção de elenco, Gabriel Domingues, destacou que o filme brasileiro representa a vontade do Brasil de se ver em sua potência e complexidade. E ficou orgulhoso com o reconhecimento do elenco, formado por atores em diferentes estágios da carreira e de diferentes origens e formações.
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“Para mim o conjunto dos personagens do filme, desse roteiro brilhantemente escrito pelo Kleber, e o conjunto de pessoas que está ali em tela, é muito representativo da força do Brasil que eu acredito, do Brasil que eu acho que é o que o Brasil tem de melhor: as pessoas”, salientou.
Em cartaz no Cine Max Brasil, O Agente Secreto já acumula 57 prêmios e segue na sua campanha na temporada. No Brasil, a obra está sendo exibida há 12 semanas em 470 cinemas.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas revelará os vencedores na cerimônia de premiação, que será no dia 15 de março. Com as indicações ao Oscar, a expectativa é que o público nos cinemas aumente.
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Mais brasileiros
Além da equipe de O Agente Secreto no Oscar, o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso foi indicado como Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem, da Netflix.
Filmado nos Estados Unidos, a obra chamou a crítica pelo uso de 99% de luz natural, projetando o trabalho de Veloso. O diretor de fotografia já venceu prêmios da Los Angeles Film Critics Association (LAFCA), em 2025, e do Critics Choice Awards 2026.
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Presença internacional é celebrada
A conquista foi celebrada por críticos de cinema e cineastas gaúchos. O santa-cruzense Marcus Mello, pesquisador e funcionário de carreira da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, afirmou que trata-se de uma conquista extraordinária.
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No entanto, o amigo de longa data do diretor Mendonça Filho e da produtora francesa Emilie Lesclaux (esposa do cineasta) acredita que a obra poderia estar competindo nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Direção. “Teria feito justiça a dois aspectos do filme que saltam aos olhos, a narrativa de construção dramatúrgica perfeita e a maturidade do Kleber na encenação. Mas não podemos reclamar.”
Também considerou como justa a indicação a Melhor Direção de Elenco, que de certa maneira substitui a presença da artista Tânia Maria, intérprete de Dona Sebastiana, na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. Para ele, a indicação do filme nesse prêmio inédito reconhece o notável conjunto de atrizes e atores que brilham no filme, mesmo em participações pequenas.
Já o crítico de cinema Rodrigo de Oliveira afirmou que, de forma geral, não houve surpresa nas indicações. Destacou Delroy Lindo como indicado a Ator Coadjuvante por sua atuação em Pecadores – obra de horror de Ryan Coogler que quebrou recordes ao ser indicada em 16 categorias.
Votante do Globo de Ouro, Oliveira enfatizou a presença internacional intensa no Oscar, o que é sempre positivo. Foram nove indicações para Valor Sentimental, quatro para O Agente Secreto e duas para Foi Apenas um Acidente e Sirat. “Não é pouco. E mostra que a abertura da Academia para votantes ao redor do mundo tem surtido efeito.”
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No entanto, o jornalista também esperava a presença do longa-metragem brasileiro na categoria de Melhor Roteiro Original. “Uma das forças do filme de Kleber Mendonça é o que ele bolou no papel para depois transportar para a tela. As três indicações principais eram esperadas e a quarta, Melhor Seleção de Elenco, é uma bem-vinda novidade”, avaliou.
Já o cineasta Diego Tafarel, da Pé de Coelho Filmes, reiterou o fato de o cinema mundial viver um grande ano, com grandes filmes como Pecadores, Uma Batalha Após a Outra, Valor Sentimental e o nosso O Agente Secreto. “Mas o mais interessante é que, de forma geral, os filmes de super-heróis estão sumindo entre os indicados e o cinema de autor é protagonista, o que vejo com muito bons olhos.”
Tafarel ainda mencionou que esperava uma indicação de Melhor Direção para Mendonça Filho. “O Kleber olha para essa história de forma muito inventiva, passeando entre gêneros e sugerindo uma paranoia que é tanto visual quanto sonora. É como se ele juntasse muitas memórias, as dele, as da cidade, a histórica e a de pessoas comuns, para fazer um filme político com um desfecho em anticlímax maravilhoso, que nos deixa refletindo por dias.”
Quais prêmios o Brasil vai ganhar?
“Com as indicações de Valor Sentimental, a balança pendeu para o filme norueguês. Hoje ele seria o favorito para vencer Melhor Filme Internacional. Mas a gente sabe que nem sempre o favorito vence, especialmente nessa categoria. Portanto, ainda há chances para O Agente Secreto – até porque ele vai ser muito visto agora depois de ter sido indicado a Melhor Filme. Wagner Moura tem chances, embora o favorito seja Timothée Chalamet. E Melhor Direção de Elenco é uma incógnita. Nunca tivemos a categoria e ali estão vários pesos-pesados.”
Rodrigo de Oliveira, crítico de cinema e votante do Globo de Ouro
“Acredito que o Brasil tenha uma grande chance em Melhor Filme Internacional e uma menor em Melhor Ator. Acho que são nessas duas categorias que podemos brigar. Acho que o Melhor Filme será para Uma Batalha Após a Outra. Dá para ficar torcendo também para o Adolpho Veloso, que tem chance de ganhar Melhor Fotografia por Sonhos de Trem.”
Diego Tafarel, cineasta
“Como brasileiro que se orgulha do trabalho dos nossos artistas, acho que temos boas chances de levar Filme Internacional e Melhor Ator, repetindo a premiação do Globo de Ouro. Mas mesmo que a gente não ganhe em nenhuma categoria, o feito do Kleber e sua equipe em O Agente Secreto já entrou para a história. Viva a cultura do Brasil. Viva Pernambuco.”
Marcus Mello, pesquisador e crítico de cinema
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