O mundo acompanha as repercussões da escalada na tensão no Oriente Médio, especialmente diante das novas ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Até a noite dessa segunda-feira, 2, o clima de tensão e insegurança predominava, sobretudo no meio econômico.
Ao longo da segunda-feira, o que se viu foi uma forte movimentação relacionada ao mercado de combustíveis, situação que se agravou após a informação de que o Irã fechou o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde circulam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás. Na economia brasileira, a tendência é que isso se reflita com aumento de preços.
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Em meio a isso, na segunda-feira o preço do barril de petróleo Brent, negociado em Londres, que estava custando US$ 73 na sexta-feira, disparou logo na abertura do mercado, superando os US$ 80 durante o pregão. No Brasil, o dólar também subiu ao longo do dia, mas fechou o dia praticamente estável.
“Para o Brasil, o que pode afetar é uma valorização do dólar e um eventual aumento de custos de produtos associados ao petróleo que nós importamos. Por exemplo, o trigo está associado ao dólar. O dólar aumentando é um impacto aqui no Brasil”, explicou Mário Oliveira Filho, especialista em infraestrutura e energia.
A Petrobras informou que possui rotas alternativas à região do conflito entre Estados Unidos e Irã. Em nota, a estatal disse que isso “dá segurança e custos competitivos para as operações da companhia, preservando as margens”.
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Segundo a empresa, os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas. A Petrobras reforçou também que não há risco de interrupção das importações e exportações no momento.
Bombardeios
Os Estados Unidos deram indícios de que vão ampliar seu envolvimento militar na guerra contra o Irã. Na Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou que uma grande onda de ataques contra Teerã está por vir. Em entrevista ao jornal New York Post, o republicano também afirmou que “não tem medo” de enviar soldados ao Irã.
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No Pentágono, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior as Forças Armadas americanas, disseram que ampliarão o número de caças em atuação na Operação Fúria Épica.
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Na segunda-feira, o conflito se espalhou para outros países da região depois que Israel e a milícia xiita Hezbollah, aliada de Teerã, trocaram ataques. O país persa também lançou bombardeios no Kuwait, o Catar e a Arábia Saudita. O chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, afirmou que o país não negociará com os Estados Unidos.
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Indústria brasileira está em alerta e teme impacto
A escalada das tensões no Oriente Médio acende alerta para a indústria brasileira diante dos possíveis impactos sobre energia, logística e negócios internacionais, informou a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Segundo dados do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, entre 2021 e 2025, o Brasil exportou US$ 73,84 bilhões para países do Golfo e do Oriente Médio, o equivalente a cerca de 4,5% das exportações nacionais no período. A pauta é concentrada em carnes, açúcar, milho, soja e minério de ferro. Nesse mesmo período, as importações brasileiras da região somaram US$ 42,87 bilhões, cerca de 3,3% do total importado pelo País, com forte presença de combustíveis minerais e fertilizantes.
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O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, também fez alertas. Segundo ele, o conflito iniciado com a ação militar coordenada entre Estados Unidos e Israel, que culminou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, terá uma dimensão maior do que a invasão americana no Iraque, em 2003, que capturou o ditador Saddam Hussein.
Tendência
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nessa segunda-feira que ainda é cedo para avaliar os impactos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre as variáveis macroeconômicas, a não ser que o conflito venha a escalar ainda mais.
De acordo com ele, o Ministério da Fazenda está acompanhando a situação, mas destacou que a economia brasileira está bem e uma eventual escalada na guerra vai determinar o cenário futuro. “Vamos aguardar e eventualmente estar preparados para uma piora no ambiente econômica”, disse o ministro.
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