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AGRICULTURA

Excesso de chuva faz produtores temerem perdas nas lavouras de arroz

Foto: Alencar da Rosa

Em Quarta Linha Nova Baixa, no interior de Santa Cruz, as áreas preparadas estão submersas e a situação já preocupa os produtores

O plantio do arroz no Vale do Rio Pardo vem sofrendo com o excesso de chuva que atinge a região desde o início de setembro. As lavouras nas áreas do 5º e do 27º Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), sediadas em Rio Pardo e Candelária, respectivamente, estão com a etapa de semeadura atrasada na comparação com o ano anterior. Tendo em vista a previsão de precipitações constantes e volumosas para os próximos meses, os especialistas estão atentos para possíveis prejuízos.

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Segundo o engenheiro agrônomo Ricardo Tatsch, chefe do 5º Nate, a chuva além do necessário é prejudicial para todo o ciclo do arroz. “Neste primeiro momento já está atrasando o plantio, e uma lavoura plantada fora da época preferencial terá um potencial produtivo menor”, observa. Além disso, a umidade favorece o desenvolvimento de doenças como a brusone, considerada a principal praga da cultura e que pode causar perdas significativas se não for controlada.

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Tatsch chama a atenção ainda para os dias nublados, visto que a radiação solar é fundamental para o desenvolvimento das plantas. “Nessas últimas quatro safras, em que tivemos muitos dias ensolaraddos e alta radiação, obtivemos produtividades muito elevadas”, recorda. Já em anos com a presença do fenômeno El Niño, como é o caso de 2023, com reflexos no aumento das precipitações e da nebulosidade, a tendência é que haja redução nos resultados.

Segundo o especialista, o Irga recomenda que a semeadura seja concluída até o fim da primeira semana de novembro, justamente para que os vegetais possam aproveitar melhor a incidência do sol e os dias mais longos durante o verão. Para se ter uma ideia do atraso, em meados de outubro de 2022 as áreas do 5º Nate já tinham 2,5 mil hectares plantados, enquanto neste ano, pouco mais de mil hectares já avançaram nessa etapa.

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Outro ponto de interesse dos orizicultores é o custo de produção, cujo cenário está muito mais favorável se comparado ao ciclo anterior. “Tivemos uma redução expressiva, na safra passada todos os insumos estavam muito inflacionados.” Já o mercado, afirma Tatsch, está aquecido e a perspectiva é de boa rentabilidade. No dia 18 de outubro do ano passado, a saca de 50 quilos de arroz estava em torno dos R$ 78,00, enquanto hoje a cotação média é de R$ 104,00.

Preocupação entre os produtores

Além do Irga, os produtores também já demonstram preocupação com as condições climáticas adversas. É o caso de Marcelo Rabuske, de 49 anos. Em sua propriedade, localizada entre Linha Seival e Quarta Linha Nova Baixa, o plantio foi feito somente em 60 dos 120 hectares destinados à cultura. “Lá daquela região, sou o mais avançado. Não sabemos ainda se as sementes vão emergir, de repente vai ser necessário fazer uma nova semeadura”, explica.

Além do alagamento das áreas, a chuva persistente vai tornando a janela de plantio cada vez mais apertada e, por consequência, atrasa também a colheita. “Quanto mais você entra no outono, menos luz solar, isso diminui o rendimento das plantas.” Ainda de acordo com Rabuske, o seguro também é motivo de apreensão. “Quando você faz o financiamento, só consegue seguro para o granizo. Teria de haver outros que garantissem uma renda mínima para o produtor, visto que viemos de anos de seca e agora excesso de umidade.”

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