As chuvas ocorridas durante o ano de 2014 chegaram a marca de 2824mm, considerada a maior dos últimos 23 anos, no município de Sobradinho, conforme dados coletados por Iedo Gassen, que faz a medição diária das precipitações em sua casa, no bairro Vera Cruz. Camparada ao ano de 2012, quando choveu 1516mm, a diferença é de 1308mm, o que significa que houve um acumulado de 53,68% a mais de chuva no ano que passou.
A erosão das lavouras diminui a fertilidade do solo e também causa assoreamento das sangas e arroios. O único fator positivo é reposição de água nos mananciais hídricos, tanto superficial como subterrâneos. Na área da produção, segundo o Engenheiro Agrônomo da Emater-RS/Ascar Paulo Dilelio, os prejuízos já foram contabilizados na cultura do trigo, pois afetou a produção e a qualidade do produto colhido. O feijão, que está sendo colhido, não apresenta boa qualidade e a soja necessita, em média, 450 a 800mm de chuva durante o ciclo, dependendo muito do manejo. Até esta sexta-feira, 9, 692mm já foram contabilizados, o que também vai refletir na produção, pois boa parte do adubo já foi lixiviado e, em função do excesso de umidade, as doenças fúngicas, no caso da ferrugem, já é mais uma preocupação para os sojicultores. O milho safrinha também será prejudicado caso as chuvas continuarem neste ritmo, pois os produtores terão dificuldades em semear dentro do período recomendado pela pesquisa, correndo o risco de atraso no plantio e a cultura ser prejudicada por geadas precoces.
Já nas culturas perenes, os prejuízos foram contabilizados na cultura do pêssego. A produção de caqui terá uma queda de rendimento e nos citros a produção da próxima safra já esta comprometida, pois no período de florescimento, o excesso de chuvas proporcionou ataque de doenças fúngicas, que causaram abortamento das flores. A uva, em função dos produtores terem feito um bom manejo das doenças fúngicas, terá boa produção em muitos parreirais, mas onde não houve manejo adequado as perdas são irreversíveis.
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