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‘Extermínio: Templo de Ossos’ mostra que o charlatanismo sobreviverá ao fim do mundo

Em cartaz no Cine Max Brasil, Extermínio – O Templo dos Ossos assume a difícil tarefa de dar continuidade ao polêmico fim de seu antecessor, A Evolução. Coube à diretora Nia DaCosta (A Lenda de Candyman) assumir a franquia no lugar de Danny Boyle (Trainspotting), criador da franquia, ao lado do roteirista Alex Garland (Guerra Civil).

A troca de diretores pode soar preocupante, especialmente depois que Extermínio 2 tentou isso e fracassou. No entanto, uma vez que o roteiro foi escrito novamente por Garland, a narrativa é uma sequência direta da história. 

Mais do que isso: Nia DaCosta mostra-se a escolha certa para assumir o cargo, sem tentar imitar o estilo único de Boyle, mas trazendo sua assinatura à franquia. E ela tem um excelente material, sobretudo os personagens, para trabalhar.

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A começar pelo personagem mais divisivo do anterior, Sir Lorde Jimmy Crystal (Jack O’ Connell), líder messiânico de uma seita bizarra na qual todos os seguidores, os sete dedos, usam perucas loiras, vestem os mesmos abrigos esportivos e chamam-se Jimmies. Apesar da aparição desastrosa em A Evolução, que cortou o clima dramático e tenso do resto do filme, o arco desse bando de lunáticos encaixa-se com naturalidade no universo da franquia, que se passa 28 anos após o Reino Unido ser tomado por um vírus que transforma as pessoas em seres raivosos.

Afinal, A Evolução começa mostrando o passado do personagem ainda criança. Ele vê sua família inteira ser atacada e transformada em infectados. E, ao buscar ajuda do pai, um padre, na igreja, vê a figura que deveria protegê-lo se entregar e ser contaminado.

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E o garoto abalado, que teve sua infância interrompida pelo fim do mundo, precisou lidar com o trauma enquanto sobrevivia ao apocalipse. Usando um crucifixo virado ao contrário, se transformou no filho do “Velho Nick” (apelido para Satanás) naquela terra devastada, perseguindo com seus Jimmies os sobreviventes para enviá-los ao seu “salvador”.

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Acompanhamos esse arco por meio de Spike (Alfie Williams), protagonista de A Evolução salvo pelo grupo de infectados. Ele é obrigado a unir-se à seita, abandonando seu nome e sua personalidade para virar mais um Jimmy.

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No caminho totalmente oposto, está o doutor Ian Kelson (Ralph Fiennes), que continua a construir o templo de ossos – um memorial aos mortos – e passa a se aproximar- do infectado alfa, Samson (Chi Lewis-Parry), que tentou matá-lo no passado. Na busca de um tratamento, o médico faz uma descoberta importante para combater os efeitos do vírus. Entretanto, o caminho do homem da ciência e o líder da seita acabam se cruzando. Assim, as crenças das duas figuras antagônicas colidem em uma onda de caos, insanidade e violência.

Nia DaCosta pode não ter o estilo frenético de Boyle, mas conduz com maestria, brutalidade e insanidade a continuação, focando no que há de melhor: os personagens e as atuações. Fiennes, um dos melhores artistas de sua geração, e O’Connel, que demonstrou seu talento em Pecadores (em um papel que merecia mais reconhecimento nas premiações), entregam performances hipnotizantes, prendendo a atenção toda vez que aparecem em cena. E é incrível o comprometimento dos dois mesmo nos momentos mais insanos da história, principalmente os que envolvem Fiennes dançando (sim, isso mesmo) Dire Straits e The Number of the Beast, do Iron Maiden, em um momento que lembra muito Apocalypse Now.

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A excelente condução de DaCosta, aliada à atuação inesquecível de seu elenco, e a história de Garland mostram que a franquia está no rumo certo. O Templo dos Ossos não é uma mera sequência que tenta copiar os anteriores ou reproduzir temas comuns no subgênero dos filmes de zumbis. E o mais assustador não são os infectados ou o fim do mundo, mas saber que a história não está na fantasia, mas na semelhança com a realidade.

Afinal, não faltam coachs picaretas, líderes de seitas ridículas com discursos messiânicos que tiram dinheiro de pessoas com a promessa de salvação, seja espiritual, financeira ou profissional. Além das baratas, pode ter certeza de que o charlatanismo sobreviverá ao apocalipse.

Spike bem que merecia mais

O Templo dos Ossos foi a oportunidade para personagens secundários do filme anterior brilharem. Acompanhamos um excelente desenvolvimento narrativo de Dr. Kelson, Jimmy e até de Samson (que tem algumas das melhores cenas ao lado do amigo médico). Porém, nessa festa, o pobre Spike acabou sem o seu lugar ao sol para brilhar.

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Protagonista do filme anterior, ele representava o coração da narrativa. Vimos a criança amedrontada encarar o fim do mundo pela primeira vez, sua primeira morte, a fuga dos infectados, e recusar-se a se tornar um selvagem como seu pai. Ele cria coragem para encarar seus medos e foge com a mãe doente em busca de um tratamento. Entretanto, depara-se com a triste realidade de que, no mundo onde vivem, não há cura para o mal que a aflige, de modo que o garoto aprende uma dura lição sobre a vida e a morte marcante.

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Já aqui, o personagem vivido por Alfie Williams não tem a continuidade na sua história e no desenvolvimento, transformando-se em uma figura secundária e muitas vezes esquecida. É tão ignorado a ponto de só voltar para o enredo principal porque a história precisava disso. 

Sem um desfecho satisfatório para seu arco, o filme termina tão polêmico e divisor quanto o antecessor. Pois, embora feche com uma cena nostálgica, para alegria dos fãs da franquia, ela vem de maneira forçada e pouco natural. 

Entretanto, nem tudo está perdido: com a sequência prestes a ganhar sinal verde com o retorno de Danny Boyle e Alex Garland, espera-se uma redenção para um excelente personagem que merecia muito mais.

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