No dia 24 de janeiro, comemora-se o Dia Nacional do Aposentado. Instituída em 1981 para homenagear os profissionais que dedicaram parte de suas vidas ao trabalho, a data foi escolhida para lembrar a promulgação da Lei Eloy Chaves, em 24 de janeiro de 1923, há mais de 100 anos, e é considerada a primeira lei brasileira destinada à Previdência Social no Brasil. Um século depois, a evolução da previdência social no Brasil chegou ao atual INSS, um dos maiores sistemas previdenciários do mundo.
Em meio a tantas datas comemorativas, previstas no calendário anual – algumas mais sejam importantes, outras mais badaladas e a maioria apenas para constar -, o Dia do Aposentado passa praticamente batido, até para os próprios aposentados. Embora estejam usufruindo de um descanso remunerado, há uma perda anual do valor das aposentadorias e das pensões de quem recebe acima do salário mínimo, cujos reajustes não repõem o valor da inflação.
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Infelizmente, nos moldes atuais, será cada vez mais difícil de ser mantido o benefício para os futuros aposentados e pensionistas. A previdência pública do Brasil está organizada principalmente em um regime conhecido por repartição simples. Significa que os atuais aposentados tem parte de seus benefícios custeados pelas contribuições dos trabalhadores na ativa. Esses, por sua vez, dependerão das contribuições das próximas gerações de trabalhadores. Será que isso vai se manter?
O principal problema é a mudança demográfica, no Brasil, com a diminuição da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida. Em breve, seremos um país com menos crianças e mais idosos. Além disso, menos da metade dos brasileiros em idade de trabalhar, são contribuintes da Previdência Social, segundo dados do IBGE. Isso acaba gerando reflexos na Previdência Social Pública.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que a proporção entre número de contribuintes e o número de beneficiários do Regime Geral de Previdência Pública vem decrescendo de forma acelerada. Em 2022, pela primeira vez ficou abaixo de 2 (1,97) contribuintes para cada aposentado. A projeção é que, em 2050, seja de 1 contribuinte para 1 aposentado. A pergunta que não quer calar: quem vai bancar a conta da aposentadoria? Mesmo com constantes reformas, o cenário continua complicado. Enquanto nos anos 90, os aportes com a previdência representavam 20% dos gastos totais, hoje já respondem por 51% de todas as despesas primárias da União.
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Estudo sobre aposentadoria, realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), constatou que 8 em cada 10 brasileiros não tem preparação para a aposentadoria, sendo que a maioria teme não ter dinheiro na velhice. Aliás, um arrependimento bastante comum entre os aposentados foi não terem economizado mais enquanto estavam na ativa. Muitos deles dependem dos familiares para sobreviverem, tiveram que diminuir seu padrão de vida com os custos da velhice e permaneceram trabalhando, às vezes de forma precária, para conseguir pagar suas contas.
Ao se aposentarem, muitas pessoas, simplesmente, não conseguem desvencilhar-se de crachás ou máscaras que eram obrigadas a usar nas empresas ou instituições, o que as caracterizava profissionalmente, em detrimento da autêntica identidade pessoal. Tendo exercido funções de comando, por exemplo, parece que trouxeram junto seus carimbos ou estrelas, não perdendo oportunidade, em qualquer ambiente ou evento, de manifestar sua antiga autoridade. Outras, não conseguem deixar de usar, diariamente, o uniforme da empresa ou, então, em casos mais extremos, de comparecer, diariamente, ao local de trabalho do qual foram desligadas, como se ainda estivessem na ativa.
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A aposentadoria não representa o fim. É apenas uma etapa do ciclo da vida e pode ser aproveitada de diversas maneiras. No entanto, para muitos, a transição para a aposentadoria pode trazer preocupações, com incertezas financeiras, adaptação a uma nova rotina e desafios inesperados. Seguem cinco maneiras de melhor conduzir-se nessa época da vida:
- 1) Estabelecer um plano financeiro: elaborar e seguir um orçamento; criar um fundo para imprevistos, como contas médicas e reparos na casa.
- 2) Manter-se fisicamente ativo: a atividade física alivia o estresse, melhora o humor e fortalece a saúde geral.
- 3) Manter um propósito e uma rotina: desenvolver hobbies ou aprender novas habilidades; fazer trabalho voluntário; cumprir atividades diárias, como caminhadas e leituras; realizar trabalhos freelancers.
- 4) Fortalecer as conexões sociais: reaproximar-se de velhos amigos ou fazer novas amizades; passar tempo de qualidade com a família; usar a tecnologia para se manter em contato com pessoas conhecidas que moram longe.
- 5) Focar na saúde: realizar exames regulares, observar uma alimentação equilibrada e cuidar da saúde mental.
Nos últimos anos, leis, emendas constitucionais e reformas trouxeram avanços, mas, também, retrocessos na vida de aposentados e de quem está se preparando para usufruir do merecido descanso remunerado. É cada vez mais evidente a necessidade de as pessoas se organizarem financeiramente para a chegada dessa fase da vida.
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A maioria das pessoas já leu ou, ao menos, já ouviu falar sobre a importância de começar a poupar e investir, de modo a garantir uma aposentadoria mais segura, financeiramente, o que especialistas chamam de longevidade financeira. Mas, quando se é jovem ou em início de atividade profissional, a aposentadoria é algo distante, não é lembrada nem faz parte das prioridades. Os anos passam e quando a pessoa percebe já pode ser tarde ou, no mínimo, mais difícil conseguir fazer um “pé de meia” para esta nova etapa da vida.
No início de um novo ano, ainda dá tempo de fazer mais uma promessa: começar a garantir a saúde, não só física e mental, como também a financeira para os anos que virão em seguida, seja lá com que idade for. É urgente a adoção da educação financeira que deve incluir um planejamento para uma aposentadoria mais tranquila, no futuro. Pode-se juntar todos os conhecimentos e experiências, acumulados durante o tempo de trabalho e da própria vida, e usar o tempo disponível para ocupar-se com atividades significativas e que tragam prazer. Às vezes, até dinheiro. Aposentadoria pode significar, pois, um tempo de muitas possibilidades. Ou nenhuma. Tudo irá depender de como a pessoa vai lidar com essa nova fase da vida.
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