Em 24 de fevereiro de 2026, Reinaldo Domingos postou no site CLOUD Coaching, o artigo Inadimplência no Brasil: Um retrato nacional que exige mudança de comportamento. A preocupação com a inadimplência no Brasil faz sentido, ainda mais quando manifestada com base em números. Reinaldo Domingos é PhD em Educação Financeira, criador da metodologia DSOP e presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), além de autor de mais de 150 obras sobre o tema e que, há mais de 30 anos, atua no mercado da educação financeira.
Conforme dados do Serasa, em dezembro de 2025, quase a metade da população adulta no país (49,77%), que equivale a 81,2 milhões de brasileiros, está com contas em atraso. O valor médio das dívidas por pessoa chega a R$ 6.382,00, totalizando um estoque nacional que ultrapassa R$ 518 bilhões.
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A análise dos dados mostra que, embora haja diferenças percentuais significativas entre os estados brasileiros, a inadimplência é uma realidade nacional. O Amapá é o estado com a maior inadimplência, com 66%. Já Santa Catarina registra o menor índice, com 39,44%. São Paulo, com a maior economia do país, aparece com 54,23% de inadimplentes, acima da média brasileira de 49,77%.
Mesmo no estado com o menor índice de inadimplência, quatro em cada dez adultos estão com dívidas em atraso. Parece que o problema não se restringe a uma região ou perfil específico. Conforme diz Reinaldo, “sem dúvida, trata-se de uma questão comportamental e estrutural da relação do brasileiro com o dinheiro.”
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Com eventuais exceções, como algum acidente ou doença que demandam de empréstimos, a inadimplência vai se formando ao longo do tempo. O uso exagerado do cartão de crédito e do cheque especial, a assunção de parcelamentos longos e cumulativos, além da falta de controle comprometem grande parte ou toda receita pessoal ou familiar. Pior ainda quando se paga o mínimo da fatura do cartão de crédito, rolando o saldo para o mês seguinte, com juros proibitivos.
Provavelmente, as bets também contribuem com a inadimplência do brasileiro que, no ano passado, faturaram R$ 360 bilhões. Grande parte do dinheiro arrecadado com o gasto em apostas online não circula na economia do país, pois é mandado para fora, geralmente para paraísos fiscais. Milhões de brasileiros gastam muito dinheiro com as bets, deixando de pagar suas contas e, muitas vezes, deixam de comprar itens básicos. Mesmo com esses pontos negativos, o Congresso Nacional, em recente votação do projeto de combate às facções, houve por bem livrar as bets de taxação. Quer dizer, além do estrago que promovem entre a população, ainda não pagam impostos por isso.
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É possível sair da inadimplência, mas, como alerta Reinaldo, exige método, disciplina e consciência financeira. O primeiro passo é conhecer a real situação financeira. Realizar o diagnóstico da situação que consiste em apurar o patrimônio disponível, as dívidas, os rendimentos líquidos e todos os gastos. Durante 30 ou 60 dias, anotar todos os efetuados, mesmo que não tenha havido desembolso de dinheiro. Ao final do período, já é possível ver a realidade financeira pessoal ou familiar, permitindo diminuir, substituir ou eliminar despesas, sem qualquer perda no padrão de vida pessoal ou familiar. Neste passo, é importante examinar os hábitos de consumo pessoais ou família que podem levar a tomar decisões emocionais e à busca de satisfação imediata.
Outro cuidado importante é, ao procurar credores para renegociar dívidas, saber exatamente quanto se pode pagar por mês, evitando acordos que não possam ser cumpridos e que geram novas frustrações. Além disso, é fundamental identificar e principalmente entender a causa do problema.
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Para muita gente, o ano só começa mesmo depois do Carnaval. Se o ano de 2025 foi de sufoco financeiro, o início deste ano é o momento ideal para organizar as finanças para 2026. Tudo pode começar com algo muito simples, mas poderoso: colocar numa planilha ou num simples papel as despesas previstas para o ano. Os valores podem mudar ao longo do ano, mas ter uma estimativa ajuda muito na organização, o que requer a inclusão da família.
A inadimplência elevada da maioria da população brasileira é um sinal claro de que precisa haver uma mudança na forma de lidar com o dinheiro. Não basta conseguir mais crédito, mas usá-lo de forma consciente. Como diz Reinaldo Domingos, “Quando planejar, priorizar e alinhar seus gastos aos seus objetivos de vida, não apenas reduz dívidas, ela transforma sua relação com o futuro”. Essa transformação começa pela educação financeira que é uma ciência humana, fundamentada no comportamento e não apenas em pesquisas de preços, fazer cálculos e usar planilhas ou apps.
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