“Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra” – Shakespeare (1564-1616).
Em várias línguas antigas, a palavra páscoa significa “passagem”. Povos antigos comemoravam a passagem do inverno – tempo de frio e privação – para a primavera – promessa de fartura com as colheitas. Os judeus apropriaram-se dessa tradição mitológica para comemorar a libertação do Egito; e os cristãos, para celebrar a passagem da morte para a vida, com a ressurreição de Jesus Cristo.
A presença do ovo de Páscoa simboliza a vida. Muitas civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Já a origem da imagem do coelho, que não se reproduz por ovos, está na fertilidade que representa, pois gera grandes ninhadas.
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A raiva, o ressentimento e o ódio estão entre os mais poderosos e autodestrutivos sentimentos e emoções do repertório humano. Nas redes sociais, as pessoas costumam manifestar sua raiva e ódio contra pessoas públicas, principalmente políticos, sem a menor cerimônia, na certeza de que estão certas e que estão apenas expressando suas convicções.
Costumamos ouvir ou até pronunciar frases do tipo “ele me passou pra trás”, “ele acabou com os meus sonhos”, “ele é ladrão” etc. Por maiores que sejam os motivos que geram esses sentimentos, não vale a pena guardá-los e muito menos alimentá-los. Em algum momento, todos perdemos alguma coisa. Mas, só porque temos toda a razão para nos sentirmos magoados, tristes, desapontados, roubados, injustiçados, vitimados não precisamos ressentir essas emoções o tempo todo, indefinidamente.
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Ruminar alguma raiva, mágoa ou outro sentimento negativo sobre alguém é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra. Como, então, libertar-se de sentimentos e emoções negativas e recomeçar? Através do perdão. É uma das respostas, entre várias, que podemos dar quando nos sentimos magoados, raivosos e injustiçados.
Não é algo esotérico ou sobrenatural, nem precisa ser, necessariamente, religioso. É uma habilidade que se pode aprender e que se torna mais fácil com a prática. Estudos científicos comprovam que perdoar faz bem para a saúde mental e física. Não muda o passado, mas modifica o tempo atual. Perdoar não significa achar que o que aconteceu estava certo nem fechar os olhos à conduta grosseira, desatenciosa, interesseira ou desonesta de alguém. Também não é sinônimo de esquecimento, de “deixar pra lá”.
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Embora possa parecer estranho, o perdão tem algo a ver, também, com o dinheiro. A consultora financeira americana e autora de livros, Suze Orman, diz que os maiores obstáculos internos na busca de uma vida financeira mais equilibrada, e até próspera, são o medo, a vergonha e a raiva. Algum desses sentimentos pode manifestar-se quando os amigos convidam para jantar fora e a pessoa não tem dinheiro, mas acaba aceitando o convite por vergonha e por medo de perder a amizade. O mesmo acontece com a raiva de alguém ou por outro motivo qualquer, deixa a emoção tomar conta e sai por aí a gastar mais do que tem na conta bancária ou de crédito no cartão.
No Brasil, entre as datas comemorativas, a Páscoa é considerada uma das mais importantes para o comércio. Entretanto, o ritual de celebrar o domingo de Páscoa com ovos e chocolates está prejudicado ou, no mínimo, é um risco a mais para quase a metade da população adulta do país que já está inadimplente, quer dizer, está com contas em atraso. Por esse motivo e outros, há a possibilidade de colocar alguns chocolates de dívidas no bolso ou pendurar no cartão de crédito.
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Em tempos de fake news, apareceu também o “chocolate fake”. Embora doces, os chocolates têm chegado com preços salgados, o que se deve ao aumento do preço do cacau nos últimos dois anos, impactando os custos de produção das indústrias. Uma das saídas da indústria foi buscar alternativa para estabelecer preços mais em conta, oferecendo ovos “sabor chocolate”. O consumidor pode ter levado para casa produtos mais baratos, com aparência e sabor de chocolate, mas que na verdade é um ”chocolate fake”.
O grande momento da Páscoa, pelo menos para os cristãos, é certamente a ressurreição de Cristo, sem a qual a morte na cruz, depois de vários dias, submetido a torturas físicas e psicológicas, não teria o mesmo sentido. Em sua dor inimaginável, antes de morrer, tendo todos os motivos para estar revoltado, Cristo olha para o céu e diz: “Pai, perdoai a essas pessoas, elas não sabem o que fazem”. É a demonstração de atitudes extremas do ser humano: de um lado, provocar as maiores crueldades; de outro, ser capaz de perdoar a seus semelhantes. Feliz Páscoa!
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