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CORAÇÃO DIVIDIDO

Haitianos moradores de Venâncio Aires farão torcida em dobro no jogo do Brasil na Copa do Mundo

Foto: Arquivo Pessoal

Jarmondo Jean Pierre e família querem ver a partida com os conterrâneos

A segunda rodada da Copa do Mundo, nesta sexta-feira, 19, à noite, coloca a Seleção Brasileira em um confronto contra o Haiti. Para uma comunidade de imigrantes estabelecida em Venâncio Aires, será um momento surpreendente e inesquecível. Mais de duas dezenas de haitianos se estabeleceram na Capital do Chimarrão ao longo dos últimos anos, e hoje terão uma agenda incontornável: planejam organizar um churrasco para, juntos, assistirem ao jogo, a partir das 21h30, no apartamento de uma das famílias, na área central da cidade.

Para quem vão torcer? “Acho que a maioria de nós ainda nem sabe direito”, brincou Jarmondo Jean Pierre, 31 anos, em entrevista por telefone para a Gazeta do Sul na quinta-feira, 18, à tarde. Ele prontamente confirmou que a expectativa é total, e que entre eles só se fala da partida. Jarmondo mora em Venâncio Aires há seis anos, ao lado da esposa, Saintimene Orisma. Vieram de Porto Príncipe, capital haitiana, onde ele nasceu e cresceu, e onde permanecem familiares.

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A decisão de migrar para o Brasil foi estimulada por um irmão de Jarmondo, que já morava no Vale do Rio Pardo com a esposa e a filha, e acabou optando por se mudar para os Estados Unidos. Já no Brasil, Jarmondo e a companheira decidiram, há quatro anos, adotar uma jovem haitiana, Marcken-love Saintfleurant, hoje com 21 anos, que aqui perdera a mãe.

Conforme ele conta, muitos dos haitianos se estabeleceram em um mesmo prédio residencial na Rua Henrique Mylius, na área central de Venâncio. Foi uma maneira de se manterem em contato regular, e de se auxiliarem ou apoiarem em situações diversas do cotidiano. E é ali, no apartamento de um deles, que nesta sexta à noite deve ser preparado um churrasco a fim de assistirem ao jogo.

Na família de Jarmondo, o Brasil sempre teve total preferência na torcida. Ele tinha dez anos quando a Seleção fez uma partida de solidariedade contra o Haiti, em 2004, em Porto Príncipe. “E agora, veja só, quando o Haiti joga pela segunda vez a Copa do Mundo, teremos também a nossa segunda vez de confronto com o Brasil”, reflete.

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Para quem ele próprio vai torcer? “Se o Brasil vencer, vou ficar feliz. Se Haiti vencer, vou ficar mais feliz”, diz, rindo. E arrisca um placar: “dois a um”. Para quem? “Haiti!”, anuncia, às gargalhadas.

Em Venâncio, Jarmondo trabalha em uma fumageira, e ele ressalta que os conterrâneos fazem “um pouco de tudo”, atuando alguns em metalurgia, outros em frigorífico de aves e funções diversas. Ele se mantém em contato frequente com os pais e demais familiares no Haiti, e diz que, pelo que percebe, a segurança está sob controle por lá. “Quando tudo fica mais quieto, e eles não nos dão notícias de violência ou problemas, sabemos que está um pouco mais calmo por lá”, comenta, acerca dos constantes distúrbios sociais em seu país natal.

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