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ELENOR SCHNEIDER

Histórias de professor

Outubro é um mês em que várias datas importantes despontam no calendário. Para lembrar o Dia do Professor, registro algumas cenas que merecem ficar na memória. Não tenho nenhuma intenção de menosprezar ou diminuir alguém, apenas registro que fatos reais, decorrido um tempo, se tornam graciosos, hilariantes.

Houve uma época em que a Unisc, expandindo fronteiras, foi garimpar alunos, para os então cursos de férias, no interior de Minas Gerais. Numa das madrugadas mais frias do último século, três ou quatro ônibus aportaram no campus, trazendo um grupo absolutamente despreparado para esse clima. Resolvido o primeiro impacto, começaram as aulas. Alguns solicitaram aproveitamento de disciplinas cursadas em outras instituições. Foram orientados pelos professores a procurar a Secretária GERAL DA Universidade. A notícia se espalhou entre eles que diziam ser necessário falar com a secretária GERALDA. Foi em Geralda, então, que transformaram a zelosa secretária Nelci Gauciniski.

Em meio à pandemia, eis que recebo a visita de um ex-aluno, Tarcísio Henkes, me presenteando com o livro Frases, poemas e crônicas. Não é que esse vivente registrou centenas de frases e histórias ouvidas de amigos, colegas, professores, autores, jornalistas, textos de sua própria autoria e os publicou. Muito a rir e viajar no tempo. Conta, por exemplo, que, numa das faculdades locais, o professor Aquilino Bergonsi, em 1974, numa aula, disse, intervindo em discussão entre duas alunas, que ele faria como Herodes, lavaria as mãos. Ao ser advertido por um terceiro aluno que a frase fora pronunciada por Pilatos, o professor espirituosamente sentenciou: “Mas eu presumo que Herodes também lavasse as mãos!”

Na década de 1980, trabalhei em duas edições do excelente curso de formação de professores leigos, o CFAP, iniciativa que estava sob a responsabilidade do então DAU (Departamento de Assuntos Universitários) do MEC. O curso acontecia nos meses de férias na Escola Murilo Braga de Carvalho. Um dia, a diretora, professora Rute Esther Schütz, comunicou que ocorreria uma visita das supervisoras vindas do órgão governamental. Enfatizou que tudo deveria estar nos conformes, porque as mulheres do DAU seriam rigorosas. Numa manhã, as serventes foram surpreendidas com a chegada e uma delas se apressou a avisar a diretora: “Dona Rute, as esposas do seu DAU chegaram!”

Tempos de ditadura e autoritarismo também repercutiram em diversos segmentos da sociedade. Escolas e faculdades não foram exceções. Recordo de um professor universitário que, sentindo-se incomodado com a petulância de um aluno que dele discordou, simplesmente o excluiu da sala, bradando: “Retire sua insignificância de minha presença!” Reduzido a pó, o réu se ausentou sem a menor chance de contra-argumentar.

Um dos grandes nomes que faz parte da história da Unisc é o do professor Pedro Augusto Mentz Ribeiro. Arrisco-me a dizer que foi o pioneiro da pesquisa em nosso ensino superior com seus vastos e abalizados trabalhos em arqueologia. Ao mesmo tempo, era também um imbatível brincalhão. Não sei por que, mas os amigos mais próximos o apelidaram de China Velha. Na década de 1980, eu trabalhava no Colégio São Luís. Tocou o telefone e uma das minhas crianças atendeu e disse que o Pedro queria falar comigo. Cheguei lascando: “O que tu queres, China Velha?”. A resposta: “Aqui é o Irmão Pedro, sou o novo diretor do colégio e gostaria de conversar contigo!” Não sei o que pensou, mas suponho que algo assim: onde é que me meti!

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