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JOSÉ ALBERTO WENZEL

“Hombu”

Naquele tempo as águas do mar avançaram terras adentro. Veio o tempo em que forças profundas ergueram a Serra da Capivara. Então o mar recuou. Seguiu-se o tempo das glaciações e das rochas erodidas. Chapadas se abriram em boqueirões de fendas alargadas em direção aos baixões e vales. A natureza patenteou caldeirões e cavernas.

Amanheceu o tempo das cavernas habitadas pelos curiosos humanos, que deixaram vestígios de 100 mil anos, ou seja, 450 milhões depois da primeva invasão marinha. Não tardou o tempo em que artistas originários registrassem, em arenitos e conglomerados, suas pinturas e gravuras.

Humanos, animais, plantas e rituais encontram-se representados nas rochas, ora na forma de narrativas dinâmicas, ora como figurações estáticas, ou simplesmente emblematizadas, quando não em grafismos abstratos. Foi o tempo em que humanos conviveram com a megafauna, formada por preguiças-gigante de até 6 metros de altura, grandes tatus e magníficos tigres-de-dentes-de-sabre.

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Se fez cruel o tempo, já no século 17. Colonizadores com sua gadaria expulsaram e dizimaram os nativos das artes rupestres. Arte que seguiu desrespeitada pela fumaça das queimadas, dos fogões e dos fornos; arte que serviu de alvo para treinamento de tiros; arte que recebeu o sal corrosivo das peles curtidas dos animais impiedosamente abatidos.

Chegou o tempo da preservação. Tempo de Niède Guidon. Ao tempo da preservação se fez paralelo o tempo do turismo. Tempo de, entre outros, Paulo Pimenta. Paulo, filho de Terezinha e João Pimenta, há dois anos se dedica aos 70 hectares que pretende garantir como uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

A mesma terra que sua família abandonara em função da seca. Se antes os familiares de Paulo deixaram o cultivo da maniçoba, milho, feijão e mandioca, agora ele faz o caminho de volta, sob outra perspectiva. Paulo, em seus 38 anos de idade, largou seu emprego num banco em São Raimundo Nonato, no Piauí, para conviver com gameleiras, juazeiros, bromélias e mandacarus; tamanduás, veados, sarués, lagartixas e mocós; gaviões, araras e guinguiras; torres e arcos de rochas que conheceram dilúvios, movimentos tectônicos e erosões reveladoras, dizimações e agora recepcionam turistas.

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Os mesmos a quem Paulo, para se sustentar e preservar, cobra dez reais pela entrada e vende uma garrafinha de água quase a preço de custo. À venda, acrescenta que resolveu “explorar o turismo e não o turista”. Perguntado sobre sua decisão de trocar o trabalho na área do microcrédito pela exuberância da Caatinga, não duvida: “A Serra me chamou!”

Esta mesma Serra da Capivara nos diz “Hombu”, que na linguagem Jê quer dizer “venha e veja, venha comigo!” Qual o chamado que ecoa no Cinturão Verde de Santa Cruz do Sul? O que o próprio Cinturão Verde nos diz sobre a melhor forma de proteção e recuperação?

Potência ambiental

Um promissor alento ambiental percorre nossa comunidade. Sim, algo novo e vigoroso vem acontecendo. Engajemo-nos!

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Carta Aberta

O grupo de Organização da Semana do Meio Ambiente de Santa Cruz do Sul vem divulgando valiosa e necessária CARTA ABERTA sobre a recuperação e a preservação do Cinturão Verde.

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