O índice de inadimplência medido de janeiro a abril de 2026 acende um sinal de alerta para a economia regional. Em abril, Santa Cruz do Sul atingiu 33,90% de inadimplência, em uma constante de crescimento ao longo dos primeiros quatro meses do ano. Os números são da Equifax Boa Vista, maior birô de crédito da América Latina e base de dados utilizada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP) e seus associados para análise de crédito e monitoramento do comportamento econômico.
O desempenho do primeiro quadrimestre do ano reforça um movimento que já vinha sendo observado ao longo de 2025. No ano passado, o município encerrou o período com alta acumulada de 8,7% na inadimplência, refletindo um ambiente de maior comprometimento da renda das famílias e de retração no consumo. A avaliação do setor aponta que o aumento das contas em atraso impacta diretamente o desempenho do varejo, reduz a circulação de recursos na economia e tende a pressionar a arrecadação pública, especialmente em municípios cuja atividade econômica possui forte dependência do comércio e dos serviços.
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Para o presidente do Sindilojas-VRP, Mauro Spode, o comportamento do indicador exige cautela e acompanhamento constante por parte das empresas. “A inadimplência é um dos principais indicadores da atividade econômica e do nível de confiança do consumidor. Quando ela cresce de forma persistente, o reflexo aparece rapidamente na redução das vendas, no acesso ao crédito e na capacidade de investimento das empresas”, ressalta.
Segundo Spode, o atual cenário econômico reúne uma combinação de fatores que seguem pressionando o orçamento das famílias. “Ainda convivemos com inflação elevada em itens essenciais, redução lenta dos juros, expansão do crédito sem controle adequado e um ambiente de desaceleração econômica no Rio Grande do Sul. Isso acaba comprometendo diretamente a capacidade de consumo”, contextualiza.
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A análise do Sindilojas-VRP aponta que a tendência de curto prazo ainda é de manutenção dos índices em patamares elevados, com recuperação gradual ao longo do ano. Entre os fatores que ajudam a explicar o avanço da inadimplência estão o aumento do custo de vida, o comprometimento crescente da renda familiar e o avanço de modalidades de consumo consideradas de risco, como as apostas on-line. Colabora também para o desempenho, a alta taxa de juros e a situação de dificuldade no agronegócio, agravada pelas enchentes de 2024, assim como a recente dificuldade de negociação do tabaco, envolvendo indústria e produtores da região.
Primeiro trimestre 2026
Mês índice de inadimplência
- Janeiro 32,40%
- Fevereiro 32,91%
- Março 33,48%
- Abril 33,90%
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