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LUIZ AFONSO SENNA

Infraestrutura: o verdadeiro poder da China

A infraestrutura ocupa posição central na estratégia de desenvolvimento da China. Mais do que um conjunto de obras públicas, ela é tratada como instrumento de competitividade econômica, segurança energética e integração territorial. O rascunho do 15º Plano Quinquenal (2026–2030), apresentado no início de março à Assembleia Popular Nacional, confirma essa lógica de planejamento de longo prazo e revela a escala extraordinária do programa de investimentos que o país pretende executar nos próximos anos.

O plano estabelece diretrizes amplas para energia, transporte e tecnologia, mas em todas essas áreas a infraestrutura aparece como elemento estruturante. O objetivo não é apenas ampliar capacidade produtiva ou reduzir gargalos logísticos. Trata-se de sustentar a competitividade industrial e garantir segurança estratégica em um cenário internacional cada vez mais incerto.

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Um dos pilares do plano é a expansão do sistema energético. A China pretende ampliar significativamente sua capacidade de geração elétrica, com forte ênfase em fontes renováveis. A capacidade de energia eólica offshore deverá mais do que dobrar até o final da década, enquanto grandes parques solares e eólicos continuam sendo implantados em escala continental. Paralelamente, o governo investe na construção de linhas de transmissão de ultra-alta tensão capazes de transportar energia por milhares de quilômetros até os principais centros industriais.

Outro eixo central do planejamento é a expansão da rede de transportes. A China já possui hoje a maior malha ferroviária de alta velocidade do mundo, com cerca de 45 mil quilômetros em operação, e pretende ampliá-la para aproximadamente 70 mil quilômetros até 2030. Ao mesmo tempo, continua expandindo sua extensa rede de rodovias expressas e modernizando seus portos. Ferrovias, rodovias e terminais portuários passam a funcionar como um sistema logístico integrado que reduz custos de transporte e amplia a eficiência da economia.

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Sustentar essa estratégia exige volumes de investimento extraordinários. Somando energia, transporte, portos e redes elétricas, a China investe mais de um trilhão de dólares por ano em infraestrutura, patamar mantido há mais de duas décadas.

Outro aspecto relevante é que o custo de construção de infraestrutura no país tende a ser significativamente menor do que em economias ocidentais. Estudos apontam que obras ferroviárias ou metropolitanas podem custar entre 30% e 60% menos do que projetos equivalentes nos Estados Unidos ou na Europa. Essa diferença decorre menos de fatores tecnológicos e mais de características institucionais: processos decisórios mais rápidos, maior padronização de projetos, financiamento de longo prazo por bancos públicos e uma cadeia industrial gigantesca voltada à infraestrutura.

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Há ainda um elemento frequentemente subestimado: a infraestrutura tornou-se também um instrumento de soft power. As grandes obras (ferrovias de alta velocidade, pontes monumentais, rodovias expressas e portos automatizados) projetam uma imagem de capacidade tecnológica e eficiência que impressiona o mundo. Essa visibilidade amplia a influência chinesa e reforça sua presença global, ao mesmo tempo em que torna sua economia cada vez mais eficiente e competitiva.

A experiência chinesa revela, em última análise, que infraestrutura não é apenas um problema de engenharia ou financiamento. Ela depende sobretudo de fatores institucionais: capacidade de planejamento, coordenação decisória e continuidade de políticas públicas. No mundo contemporâneo, pontes, portos, ferrovias e rodovias não são apenas obras de engenharia. São instrumentos de poder econômico e de projeção global.

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