Os corpos de Ari Miguel Behling, 56 anos, Jaime Rafael Behling, 32, e Diego Ismael Behling, 30 – vítimas do triplo homicídio cometido na tarde de sexta-feira, 22, em Linha Arroio do Leite, Distrito de Monte Alverne, interior de Santa Cruz do Sul – foram sepultados na manhã desse domingo, 24, no Cemitério nº 1 de Linha Saraiva. Ari era pai de Jaime e tio de Diego.
O velório começou às 18h30 de sábado, 23, na capela mortuária da localidade. Os atos de despedida ocorreram de forma conjunta e foram marcados por forte comoção entre familiares, amigos e moradores da comunidade rural, abalada pela violência do crime.
Enquanto os familiares se despediam das vítimas, a Justiça decretou, ainda na noite de sábado, a prisão preventiva do homem de 36 anos suspeito de cometer os assassinatos. A decisão foi assinada pelo juiz plantonista Eduardo Pereira Lima Zanini antes mesmo da audiência de custódia, marcada para esta segunda-feira, 25. O acusado havia sido preso em flagrante logo após as mortes.
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De acordo com a decisão judicial, há indícios suficientes de autoria e materialidade para a manutenção da prisão. O magistrado destacou a “altíssima gravidade” do caso, ressaltando que os mortos eram da mesma família e que testemunhas relataram terem visto disparos sendo efetuados inclusive contra uma vítima já caída no chão.
Segundo a apuração conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Santa Cruz do Sul, o suspeito e as vítimas moravam próximos e tinham um conflito anterior. Em entrevista após o crime, o delegado Guilherme Dill afirmou que a principal linha investigativa aponta que o suspeito estava sob efeito de bebida alcoólica quando foi até a residência dos três para tentar resolver a desavença.
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Ainda conforme o delegado, o homem perdeu o controle do veículo e caiu em uma ribanceira às margens da estrada. Ele conseguiu sair do automóvel e, logo depois, teria executado as três vítimas em sequência, utilizando uma arma de fogo.
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O cenário encontrado pelas forças de segurança, segundo o delegado, era “muito triste” e mobilizou Brigada Militar, Polícia Civil e Instituto-Geral de Perícias (IGP) durante toda a noite. Os corpos foram encontrados espalhados pela estrada de chão batido, enquanto o veículo do suspeito permanecia capotado em um barranco.
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“Uma das vítimas, o homem mais velho, não tinha nenhuma relação com os fatos. Então, em tese, foi de forma muito cruel executado também nesse contexto”, afirmou Dill. Após os assassinatos, o homem fugiu para casa, a cerca de 2 quilômetros da cena do crime.



Nota da defesa
Em nota enviada à Gazeta do Sul, a defesa afirma que recebeu “com serenidade” o cumprimento da medida cautelar e ressalta que o caso ainda está sob investigação, sem condenação judicial definitiva.
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O advogado Felipe Raúl Haas, do escritório Haas Advocacia Criminal, afirmou que a defesa já está adotando providências para ter acesso integral aos autos e garantir o exercício da ampla defesa e do contraditório.
A nota também destaca que a presunção de inocência deve ser respeitada e que não haverá manifestações sobre o mérito da investigação neste momento.
Em contato posterior com a Gazeta do Sul, acrescentou: “Neste momento, a defesa está concentrada na análise dos autos e na audiência de custódia já designada. Por respeito ao procedimento em andamento, não faremos manifestações adicionais além da nota já divulgada.”
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Buscas pela arma
Em um primeiro momento, o suspeito teria dito à Brigada Militar que havia sido vítima de um assalto e teria efetuado disparos, porém alegou não saber o paradeiro da arma. Durante as buscas, uma maleta de arma de fogo foi localizada em um roupeiro. Já em um galpão, sobre um carroção, havia um revólver calibre .38. Também foram apreendidos projéteis, cápsulas, coldre e carregador.
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Conforme o delegado Guilherme Dill, testemunhas acompanharam parte da dinâmica dos assassinatos e prestaram depoimento. A investigação também apura informações relacionadas a possíveis desentendimentos envolvendo furtos de tabaco na região.
A decisão judicial que converteu a prisão em flagrante em preventiva detalha que duas testemunhas disseram ter visto o suspeito disparando contra um homem já caído. Conforme o despacho, elas também teriam sido abordadas pelo investigado armado e recebido ordem para sair do veículo. Para que conseguissem sair do local em segurança, precisaram acalmar o suspeito e pedir que abaixasse a arma. Segundo o documento judicial, ele teria dito a essas pessoas que as vítimas estariam envolvidas em furtos de fumo e seria necessário “acabar com isso”.
O juiz destacou na decisão que, mesmo que a suposta motivação venha a ser confirmada, “em nada minimiza a gravidade do fato praticado”, diante da evidente desproporção da violência empregada.
A Justiça também considerou que o suspeito representaria risco à ordem pública, apontando que ele teria ameaçado pessoas sem nenhuma relação com o conflito. Por isso, entendeu que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes.
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