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Kiev: tradição e rituais

Foto: Arquivo Pessoal

Catedral de Santa Sofia | Fotos: Aidir Parizzi Júnior

Caminhei do hotel até a estação de metrô mais próxima. Minha impressão, da chegada na noite anterior no moderno Aeroporto Borispol até a manhã seguinte, pelas ruas ensolaradas desta capital, com quase 3 milhões de habitantes, uma das cidades mais antigas do leste europeu, era de que tudo parecia ter um padrão relativamente ocidental. O espírito da União Soviética só deu as caras quando entrei na primeira estação de metrô. O transporte subterrâneo de Kiev, construído pelos soviéticos, seguiu o eficiente modelo padronizado por Moscou.

O que eu não esperava era entrar na estação Olimpyiski e, de forma imediata, retornar mentalmente àquela Rússia onde vivi no início dos anos 90. O motivo não era tanto pelo que eu via, mas mais marcadamente pelo olfato. O cheiro nas estações é exatamente o mesmo de Moscou, talvez com doses reduzidas de arenque seco e vodca. Longas escadas rolantes levam às plataformas, algumas a mais de 100 metros de profundidade. Como em Moscou, as “viagens” nas escadas são uma oportunidade para leitura, afeto entre casais, ou, no meu caso, para reflexão e observação do vai e vem de almas.


Uma das estações, Arsenalna, é a mais profunda do planeta, com os 106 metros abaixo do nível da rua atingidos por dois monumentais lances de escadas. Outro fator que me remeteu a Moscou foi ver muitas meninas e mulheres, sempre bem-arrumadas e maquiadas, aguardando na saída das estações, em praças, esquinas, portas de prédios. Parecem esperar eternamente por amigos, amigas, namorados e maridos. No olhar há sempre uma certa ternura, melancolia e, mais que tudo, esperança. Felizmente, pouco muda na natureza simples e humilde dos povos eslavos.

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Ucrânia e Rússia se envolveram em recentes conflitos territoriais em torno do controle da Crimeia, península estratégica para os russos por ser um porto “quente”, via Mar Negro, com acesso ao canal do Bósforo e, finalmente, ao Mar Mediterrâneo. Além disso, desde sua retomada independência, com a queda da União Soviética, em 1991, a Ucrânia permanece politicamente prensada entre o Grande Urso, comandado por Putin, e a parede de países da Otan, que gostariam de tê-la como país-membro.

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Essa tensão faz com que muitos evitem viajar à Ucrânia neste início de século. As belas ruas, as monumentais igrejas e os prédios governamentais, os locais aprazíveis às margens do imponente Rio Dnieper, e, principalmente, a atmosfera tranquila e culturalmente rica de Kiev recebem atualmente pouquíssimos turistas, mesmo em pleno período de férias na Europa.


As principais atrações da cidade são as belas igrejas ortodoxas, com suas cúpulas características e decoração única de afrescos, candelabros, belos ícones e milhares de velas finas e longas que iluminam essa avalanche de arte e devoção. Visito a Catedral de Santa Sofia, o Monastério de São Miguel e a Catedral de Santo André. Esta última fica no topo da chamada “Ladeira de André”, uma rua típica de pedestres e vendedores ambulantes de matrioshkas (bonequinhas de madeira, umas dentro das outras), relíquias soviéticas e belos exemplos da arte local.

Continua na próxima semana

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