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MATURIDADE ATIVA

Maria Noedi Frantz ajudou a reinventar o envelhecimento em Santa Cruz

Foto: Inor Assmann

Cerca de 16% da população brasileira atual, o equivalente a 32 milhões de pessoas, tem 60 anos ou mais. De acordo com as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em menos de 15 anos esse número deve ultrapassar 40 milhões de pessoas. Dados como esse mostram que uma geração inteira ganhou tempo e, obviamente, precisa decidir como vai vivê-lo ou gerenciá-lo. Nesse contexto, apresentam-se conceitos como New Older Living Trend (NOLT), que, em português, pode ser traduzido como “Nova forma de viver a maturidade”, ou “Novo jeito de envelhecer e viver”.

Ser NOLT, portanto, representa uma postura diante da vida, uma decisão de “não se aposentar de si mesmo”, de querer seguir ativo, aprendendo, se reiventando e se cuidando. Em Santa Cruz do Sul, muito antes de esse conceito surgir, em meados de 1998, a professora Maria Noedi Frantz já defendia um novo jeito de viver a maturidade.

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Incomodada com o fato de não haver atividades específicas para estimular as habilidades físicas e proporcionar qualidade de vida às pessoas idosas, ela começou a difundir isso nos encontros do Clube de Mães da comunidade Santo Inácio, que já frequentava desde 1975.

Conforme conta, as atividades se limitavam, basicamente, a tricô e crochê. Aos poucos, Maria Noedi improvisou alguns exercícios físicos no próprio Clube de Mães e motivou suas colegas. A partir daí, ideias começaram a surgir e a atividade física, por fim, começou a ser incorporada aos encontros.

A iniciativa foi elogiada e reconhecida, inclusive por um dos médicos que atendia no posto de saúde do Bairro Verena, à época. “Ele me ligou para dar os parabéns e dizer que o meu trabalho estava tirando os ‘velhinhos’ das filas dos SUS”, lembra. E mal sabia ela que o impacto de tudo isso seria ainda maior.
Do projeto surgiu o grupo de terceira idade Arte de Viver, do qual foi a primeira presidente.

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Entusiasmada com a possibilidade de propiciar isso a mais pessoas, ela começou a visitar outros locais para apresentar a ideia a clubes de mães da cidade e do interior. O trabalho se multiplicou a tal ponto que hoje o Arte de Viver reúne 18 grupos de maturidade ativa. Um dos primeiros, criados a partir do Arte de Viver, foi o Dançando a Vida, que hoje conta com 220 integrantes e tem atividades três vezes por semana, no Ginásio Poliesportivo.

Promover essa diversificação, segundo Maria Noedi, foi possível graças ao apoio recebido na época, tanto dos grupos quanto do poder público. “Eu era professora no Colégio Santa Cruz e fui cedida, através de permuta, com uma professora do município, para tocar adiante o projeto. Fui convidada a seguir trabalhando essa causa para fortalecer os grupos.”

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“Inclusão foi a melhor recompensa”

Ao longo desses 28 anos à frente da causa, Maria Noedi, hoje com 79, reconhece que muitos foram os ganhos e aprendizados. Cita como exemplos a longevidade, a qualidade de vida, o senso de pertencimento e a resiliência.

“A inclusão foi a melhor recompensa. O idoso que convive em grupos é muito mais resiliente, pois sabe que pertence a um grupo que o acolhe”, afirma. Além disso, menciona a mudança de comportamento. “Hoje se vê que a participação dos homens também aumentou”, comemora. E esse resultado, conforme avalia, se alcançou pela união de forças. “Uma andorinha só não faz verão e nem o ‘camisa 10’ ganha o jogo sozinho. O mundo está agregando valor”, reflete.

Elemento agregador

Muitos avanços foram conquistados a partir do trabalho desenvolvido pelo Arte de Viver. Todos eles contaram com a voz ativa de Maria Noedi. Ela, que se considera um elemento agregador, relata que logo em sequência, já em 1999, começou a ser realizado o Baile de Escolha da Rainha Municipal da Terceira Idade. Depois, surgiu o Baile de Escolha da Rainha da Terceira Idade do Vale do Rio Pardo; e, mais recentemente, o Baile de Escolha do Rei e da Rainha da Associação dos Municípios do Vale do Rio Pardo (Amvarp) e da Associação dos Municípios do Centro-Serra (Amcserra).

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Também se criou o Baile da Vovó Debutante, realizado anualmente em agosto, no aniversário do Arte de Viver, com mulheres 60+, bem como os Jogos Municipais de Integração do Idoso – a edição deste ano será entre os dias 2 de julho e 20 de agosto.

Outra conquista foi a criação do Conselho Municipal do Idoso, do qual Maria Noedi foi a primeira presidente. Todo esse trabalho, ressalta, é feito por um “grupo que joga junto” (Arte de Viver e secretarias municipais de Cultura, Esporte e Lazer, Turismo, Assistência Social e Saúde). E, se depender dela e dos integrantes da diretoria e apoiadores, outros sonhos devem se concretizar. Um deles é ter um espaço próprio para o Arte de Viver, que hoje funciona junto ao Poliesportivo. Afinal, como faz questão de enfatizar, nos grupos “não há tempo para envelhecer”.

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