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JOSÉ AUGUSTO BOROWSKY

Memória: herança de milhões de dólares

Henrietta Garret morreu solitária, mas 26 mil quiseram sua herança

Uma família de Linha São João, interior de Sinimbu e que, na época, era distrito de Santa Cruz, viveu o sonho de ganhar uma herança de 17 milhões de dólares. A fortuna foi deixada por Henrietta Schaeffer Garrett, viúva de Walter Garrett, industrial do ramo do tabaco na Filadélfia.

Em maio de 1946,  o agricultor Christiano Hirsch foi surpreendido com uma correspondência em língua inglesa, oriunda do escritório de Clinton Sowers, da Filadélfia. Ele pedia informações que pudessem levar à localização de herdeiros de Henrietta que, em segundas núpcias, foi casada com Christoph Schaeffer, avô de Christiano. A carta foi respondida dois meses depois e uma cópia integra o acervo do Kaffehaus, de Sinimbu.

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O sinimbuense relatou que Christoph, natural de Wolfenborn (Alemanha), era marido de Maris Schaeffer. Três meses após ela dar à luz a filha Maria, ele abandonou as duas e foi para América do Norte, onde casou-se com Henrietta. Como Maris ficou sem recursos, a pequena foi criada pela família de William Wendermueller. Quando esta migrou para o Brasil, Maria veio junto e trabalhou como doméstica em Porto Alegre e São Leopoldo.

Aos 23 anos, a jovem casou-se com o imigrante Christian Hirsch. O casal veio morar em Linha São João e teve nove filhos, entre eles Christiano. Este explicou que sua mãe, falecida em 1919, sabia pouco dos pais e apenas ouvira falar sobre o casamento de Christoph e Henrietta. Mesmo assim, prontificou-se a enviar documentos caso pudesse ganhar uma herança. A história virou o assunto na região e todos achavam que os Hirsch ficariam riquíssimos. Mas os americanos não fizeram novos contatos.

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Graças à internet, hoje sabe-se que a herança de Henrietta gerou uma das maiores polêmicas dos tribunais americanos. Ela morreu em novembro de 1930, aos 81 anos, não tinha herdeiros e não deixou testamento. Quando a história tornou-se pública, 26 mil pessoas, de todos os estados americanos e de 29 países, tentaram habilitar-se como herdeiros, representados por três mil advogados.

Foram detectadas centenas de falsificações de documentos, subornos, exumações, assassinatos e outros crimes. A Suprema Corte encerrou o caso em 1952. A maior parte da fortuna ficou com o Estado da Pensilvânia e o resto foi dividido entre poucos primos. *Colaborou: Fernando Hennig

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