A Câmara aprovou, em 25 de novembro de 1953, a implantação do Sábado Inglês no comércio de Santa Cruz do Sul. Ele entrou em vigor em 2 de janeiro do ano seguinte, gerando polêmica na cidade.
O projeto foi iniciativa de Elemar Gruendling e Ruy Adolpho Kaercher, ambos do Partido Libertador. A proposta recebeu dez votos favoráveis (só o presidente Bruno Agnes não votou) e todos os vereadores manifestaram-se na mesma linha: a medida representava um avanço e traria qualidade de vida aos comerciários e familiares.
A Lei nº 260, sancionada pelo prefeito Arthur de Jesus Ferreira, estipulava que todas as atividades comerciais aos sábados deveriam encerrar-se, no máximo, às 12h15. Ninguém poderia abrir, com ou sem empregados, nem “manter as portas fechadas e atender nos fundos”. As multas progressivas iriam de Cr$ 500,00 a 2 mil Cruzeiros, chegando à suspensão do alvará.
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Estavam excluídos açougues, padarias, bares, restaurantes, cafeterias, hotéis, postos de gasolina, salões de barbeiros e cabeleireiras, tabacarias com venda de jornais e revistas, depósitos de bebidas e gelo, e funerárias. As farmácias atenderiam com plantões, em rodízio. A norma não vigoraria em dezembro, quando patrões e empregados fariam acordo.
Mal a lei entrou em vigor, as queixas começaram. Os diaristas das indústrias, que eram pagos aos sábados, às 11h45, e costumavam realizar compras à tarde, ficaram sem opção. A fiscalização da Prefeitura não parava de receber denúncias de comerciantes contra os concorrentes que estariam atendendo “pela janela”. Além disso, ambulantes percorriam a cidade vendendo de tudo, o que acarretava prejuízos aos estabelecidos.
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Em menos de três meses, o vereador Ottomar Münsch pediu o fim do Sábado Inglês, mas não foi atendido, pois o desgaste seria enorme para a Câmara. Com o surgimento de legislações estadual e federal sobre o tema, a fiscalização foi sendo amenizada, especialmente em relação a armazéns atendidos pelos proprietários.
A instalação do Serviço de Alimentação Social em Santa Cruz, em agosto de 1958, reacendeu a polêmica. Amparado por norma federal, o SAPS atendia sábados à tarde, revoltando os comerciantes. Para acabar com a polêmica, o prefeito Arthur Walter Kaempf solicitou ao Legislativo a revogação do Sábado Inglês.
Pesquisa: Arquivo da Gazeta do Sul
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